REDE DE PSICANÁLISE APLICADA

A Comissão composta por Analicea Calmon, Iordan Gurgel, Ana Stela Sande, Sonia Vicente e Paulo Gabrielli, designada na reunião de membros da EBP-Bahia em 26/05/2018, vem se reunindo para elaborar um novo projeto para continuidade desta rede, com algumas alterações a partir da experiência no biênio 2014/2016.

Este novo projeto deverá ser apresentado em Assembléia de Membros da EBP – Seção Bahia, para apreciação e aprovação.

Segue o projeto, que doravante terá o nome de Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia

1 – Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia.

A psicanálise de orientação lacaniana na Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia, leva, necessariamente, os praticantes a se interrogarem acerca da sua prática, considerando o principio norteador segundo o qual não há psicanálise aplicada na prática em instituição, sem a devida articulação com a psicanálise pura.

No início do século XX, Freud construiu um dispositivo para tratar de pacientes histéricas.  Assim nasceu a Psicanálise e, a partir daí, novos dispositivos voltados para a experiência analítica, tais como a psicanálise aplicada a crianças, a psicóticos, a autistas e assim por diante, foram inventados, até que chegamos, a partir da orientação de Freud em 1917, ao desafio de reinventar a aplicação do dispositivo analítico em espaços institucionais, dentre os quais o que ora se denomina Rede de Psicanálise Aplicada –Bahia.

É com base nestas constatações e na experiência anterior com a Rede Assistencial, que hoje surge, no Instituto de Psicanálise da Bahia a idéia de um novo projeto: a Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia. Este projeto tem como proposta oferecer à comunidade a possibilidade de acesso à psicanálise, viável do ponto de vista econômico e eficaz em resultados terapêuticos.

Assim, ao oferecer um trabalho de psicanálise aplicada, considerando uma clínica de efeitos terapêuticos,  não se trata   apenas de um serviço de consulta e atendimento, mas, sendo uma atividade também de ensino vinculada a um núcleo  de investigação e de troca de experiências clínicas, possibilita:

  • Contribuir com a formação dos membros da Escola Brasileira de Psicanálise que participam do projeto e a preparação dos associados do IPB, na condição de praticantes e cartelizantes.
  • Formalizar teoricamente a psicanálise aplicada à clinica de efeitos terapêuticos, articulando-os à psicanálise pura.
  • Possibilitar uma experiência de discussão clínica no trabalho de cartéis, que configura esta atividade.

 2 – Como funciona a Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia?

O funcionamento constitui-se, basicamente, de um canal de recepção que agenda a primeira entrevista, que faz o acolhimento da demanda e encaminha o paciente ao Mais um de determinado cartel. Este faz a primeira entrevista e encaminha o paciente a um dos seus cartelizantes.

Cada cartel, periodicamente, realiza encontros (semanais ou quinzenais), visando uma discussão teórico-clínica, que objetiva a direção do trabalho.  Há, também, encontros mensais com a coordenação – conversações clínicas – que se constituem como uma oportunidade para apresentação e discussão de casos, da qual participam os praticantes, os Mais Um dos cartéis e os supervisores da rede, tendo por objetivo intercambiar experiências e produzir um saber sobre a clínica.

Tanto as entrevistas iniciais quanto os atendimentos subsequentes, são centralizados na sede do IPB.

Sintetizando: a operacionalização da Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia baseia-se em um processo que comporta: a entrevista, o acolhimento, a discussão da teoria e  da clinica, o funcionamento dos cartéis, a supervisão e a conversação clínica, sustentados por um programa de estudo associado às atividades do IPB.

3 – Entrevistas

Considera-se, que a Rede é um lugar de recepção das mais diversas demandas e, portanto, a entrevista realizada pelo Mais Um de um determinado cartel, consiste, primeiramente, num acolhimento da queixa/demanda e numa avaliação sobre a possibilidade de atendimento a partir do que esta rede se propõe a oferecer. Mas não se resume a isso, visto que se trata do primeiro manejo do eixo estratégico da clínica – a transferência – que se estabelece, de início, via um pedido anônimo dirigido à instituição que depois se modaliza, associando-se ao nome de um praticante da psicanálise.

4 – A clinica do acolhimento

O acolhimento será feito pelo praticante, após receber do Mais Um o encaminhamento, a partir da apresentação e discussão da entrevista, no cartel.

Não haverá tempo cronológico pré-determinado para o acolhimento psicanalítico. O “tempo limitado” em nossa prática está relacionado aos “efeitos terapêuticos rápidos”, que consiste em modificar o sintoma de que sofre o sujeito e que o levou a procurar atendimento – é quando ocorre uma mudança na posição subjetiva, que é o que se espera da psicanálise aplicada. Esta proposta concerne a teoria dos ciclos,  que supõem uma subjetivação frente ao sintoma, o que implica numa perda de gozo e, assim, o sujeito termina um ciclo.

Entretanto, quando um caso estiver próximo a completar um ano de atendimento, após a abordagem no cartel,  deverá ser discutido prioritariamente na conversação clínica, para que seja definido o encaminhamento mais condizente com a respectiva singularidade.

O atendimento será pago e o valor da sessão será acertado pelo praticante com o paciente obedecendo à faixa de valores estipulados pela coordenação.  O dinheiro recebido pelo praticante será repassado à secretária que depositará em conta bancária especifica e revertido para a manutenção da Rede.

5 – O trabalho em Cartéis

A elaboração da prática, como mencionado anteriormente, será desenvolvida em cartéis. Esta prática tem por natureza um duplo objetivo: efeito terapêutico e efeito de formação. Este trabalho deve possibilitar uma transmissão formalizada e orientada pelos analistas da EBP-Bahia aos praticantes, associados do Instituto de Psicanálise da Bahia, zelando pelo rigor da teoria e da ética visando a eficácia da prática clínica.

A constituição dos Cartéis Clínicos da Rede obedece aos seguintes critérios:

  • Os praticantes serão selecionados pela Coordenação da Rede, devendo atender aos seguintes requisitos: ser associado do IPB em dia com suas obrigações estatutárias;  ter a experiência clinica comprovada (mínimo de 2 anos); estar em análise e em supervisão; ter disponibilidade para atender na sede do IPB e para participar das reuniões de cartéis (no mínimo de periodicidade quinzenal), bem como das conversações clínicas de periodicidade mensal; frequentar uma das atividades regulares do IPB e da Seção Bahia da EBP.
  • O Mais Um deve ser escolhido, após constituído o cartel, pelos seus integrantes, entre  os membros da EBP – Seção Bahia que aceitem participar da Rede de Psicanálise Aplicada.
  • O Mais Um, ao assumir esta função, deverá comprometer-se a frequentar regularmente as conversações clínicas, inclusive contribuir com uma produção quando um membro do seu cartel apresentar um caso.
  • O Mais Um, no exercício das suas atribuições, não deverá supervisionar os seus cartelizantes; entretanto, deverá estar atento para que os mesmos, estando em atendimento clínico, estejam também em supervisão.

6 – Supervisão da prática

  • A supervisão será indispensavel e gratuita
  • A escolha do supervisor deverá ser feita pelo praticante, dentre os membros da Seção que aceitarem esta tarefa e forem indicados pela coordenação.
  • O supervisor, tendo assumido esta função, compromete-se a frequentar regularmente as conversações clínicas, inclusive contribuir com uma produção quando um supervisando seu apresentar um caso.
  • O supervisor não poderá supervisionar casos clínicos de membros do cartel em que for Mais Um.

7 – Conversação Clínica

As Conversações Clínicas são atividades de periodicidade mensal, para troca das experiências obtidas no exercício da clínica, sob a forma de apresentação de casos clínicos, seguida de debate. Nestas apresentações, além do praticante, o Mais um do cartel e o supervisor se responsabilizam por uma contribuição teórico-clinica.  A coordenação é exercida pelo Coordenador da Rede, assessorado pelo Coordenador Clínico e pelo Coordenador de Gestão.  Além de visar o aprimoramento da prática e a formação do analista, as conversações clínicas subsidiam o desenvolvimento de uma epistemologia sobre a psicanálise aplicada à clínica de efeitos terapêuticos. A participação dos praticantes é indispensavel e cada um deverá apresentar, em consonância com o trabalho em cartel, no mínimo um caso clínico que esteja em atendimento.

8 – Gestão

  • Coordenação: indicada pelo Conselho e Diretoria do IPB, está constituída por um Coordenador Geral, que responde tecnicamente pela Rede de Psicanálise Aplicada – Bahia,  um Coordenador de Gestão e  um Coordenador Clínico; respectivamente: Iordan Gurgel, Paulo Gabrielli e Sônia Vicente – por um período de dois anos a partir da implantação do projeto.
  • Apoio Administrativo. É o setor responsável pelo atendimento ao público que procura a Rede de Psicanálise Aplicada.  Constitui-se  por atividades de apoio logístico e operacional, que serão executadas de acordo com a  estrutura da secretaria do IPB, na qual há um funcionário designado para: agendar as consultas, organizar os horários e a distribuição das salas, realizar o  controle dos atendimentos em mapas previamente  construídos e responsabilizar-se pelo controle do pagamento realizado pelos pacientes e repassados pelo praticante.

9 – Programa de estudo:

Está associado às atividades do IPB, cujo programa é divulgado anualmente. Nesse contexto, considera-se o estudo de temas relacionados com a prática clínica, seja no Cartel ou nas Conversações Clínicas. É neste âmbito que se formalizam as ferramentas teóricas para sustentação da prática e se estabelece uma epistemologia própria sobre o trabalho da psicanálise aplicada a uma clínica que visa efeitos terapêuticos, sem prescindir dos princípios da psicanálise pura.

Em Salvador, 15 de setembro de 2018