PSICANÁLISE E TOXICOMANIA

NÚCLEO DE INSVESTIGAÇÃO PSICANÁLISE E TOXICOMANIA (TYA-BA)

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO DE PSICANÁLISE E TOXICOMANIA (TyA-BA): “FAZER CORPO, ENTRE LALÍNGUA E A DROGA”

Ao longo de 2026, com o propósito de avançar na elucidação da direção do tratamento no campo das toxicomanias e das adicções, daremos continuidade ao trabalho de articulação entre a prática clínica e a teoria do narcisismo. Sustentados na hipótese da função da droga como prótese narcísica, tomaremos como eixo de investigação a perspectiva lacaniana do “ter um corpo”, interrogando-a em sua relação com a incidência de lalíngua.

Nesse percurso, prosseguiremos a leitura do seminário El hombre de los lobos, de Jacques-Alain Miller, tomado como referência princeps. O caso freudiano, elevado a paradigma das afecções narcísicas, permite abordar, por diferentes vias, uma zona de fronteira na qual a operação simbólica da castração — enquanto corte no corpo-órgão — se mostra insuficiente, ou mesmo inexistente, abrindo espaço a distintas modalidades de foraclusão.

No Homem dos Lobos, evidencia-se uma angústia que vela a intromissão da pulsão no inconsciente. O lobo não opera como metáfora, mas como signo da irrupção de uma satisfação que escapa à negativação fálica, tornando-se o nome do gozo ao cifrar o encontro traumático com esse real. O sonho paradigmático circunscreve um limiar de satisfação pulsional que excede a lógica significante, indicando uma experiência remetida ao fora de sentido da pulsão — isto é, a uma irrupção de gozo que incide diretamente sobre o corpo1.

É precisamente nesse ponto que a questão de fazer corpo se torna decisiva. Entre as marcas de lalíngua e as tentativas singulares de tratamento do gozo — entre elas, a droga — delineiam-se, na experiência clínica, diferentes modos de conferir consistência ao corpo falante. A partir dessa e de outras referências, buscaremos discernir, na sutileza própria de cada caso, os diversos modos de fazer corpo que emergem na clínica das toxicomanias, investigando igualmente o manejo do praticante no tratamento possível, a partir do ato que ressoa também no corpo.

Bibliografia:
FIGUEIRÓ, Ana Maria; LAIA, Sérgio (org.). O homem dos lobos… com Lacan. Belo Horizonte: Scriptum, 2011.
MILLER, Jacques-Alain. El hombre de los lobos. Buenos Aires: Paidós, 2011.
SORIA, Nieves. Ni neurosis ni psicosis. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Del Bucle, 2015.

 Coordenação: Aléssia Fontenelle e Pablo Sauce

  • Horário: Sexta-feira das 14h15 às 15h45 (quinzenal)
  • Início: 06/03/2026