{"id":2418,"date":"2026-06-18T17:01:52","date_gmt":"2026-06-18T20:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?page_id=2418"},"modified":"2026-06-19T14:35:36","modified_gmt":"2026-06-19T17:35:36","slug":"convite-para-envio-de-trabalhos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/convite-para-envio-de-trabalhos\/","title":{"rendered":"Convite para envio de trabalhos"},"content":{"rendered":"<h3>Convite para envio de trabalhos<\/h3>\n<h3>FIM<\/h3>\n<p>Fim \u2013 esse significante que nos leva a tantos significados e possibilidades, assim como nos leva ao ponto-final. Para Freud, h\u00e1 um paradoxo em que a morte \u00e9 um fato ineg\u00e1vel, mas tamb\u00e9m o nosso inconsciente a torna inconceb\u00edvel. Assim, falar sobre a finitude da vida, ou de algo, ou algu\u00e9m, aparece como tabu.<\/p>\n<p>Fim como algo acabado? Que pode ser agarrado nas m\u00e3os? Est\u00e1 mais para o instante de ver, do tempo de compreender e do momento de concluir. O fim \u00e9 perpassado por todos esses tempos, a exemplo de situa\u00e7\u00f5es como a guerra, uma pandemia, o fim de an\u00e1lise ou de um relacionamento.<\/p>\n<p>O final de uma m\u00fasica, ou o final de um filme feito com um corte, um fim suspenso, uma interpreta\u00e7\u00e3o que vem do pr\u00f3prio ouvinte, ou espectador. O que est\u00e1 por vir como surpresa da leitura poss\u00edvel a partir da singularidade de cada um.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica \u201cO sil\u00eancio das estrelas\u201d, de Lenine, destaco os versos \u201cEu pensei que tinha o mundo em minhas m\u00e3os, \/ Como um Deus, e amanhe\u00e7o mortal\u201d. O fim est\u00e1 no curso na vida. A cada ciclo, uma nova roupagem.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as facetas que nos angustiam \u2013 a crise ecol\u00f3gica: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e degrada\u00e7\u00e3o ambiental; divis\u00f5es sociais: aprofundamento da exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o; guerras; guerras urbanas; fim de an\u00e1lise&#8230;<\/p>\n<p>Tem algo da espacialidade do tempo que nos conduz ao fim. Mas \u00e9 fim, ou o fim que entendemos como tal, um fim provis\u00f3rio? A psican\u00e1lise se interessa pelo tempo relativo e n\u00e3o o cronol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Uma forma comum de pensarmos o adiamento da morte \u00e9 a busca por um amor; pela \u201calma g\u00eamea\u201d chega-se ao fim ao encontrar o parceiro(a). \u00c9 da ordem de uma conting\u00eancia. Mas uma nova ang\u00fastia se instala pelo medo do fim desse amor. O desejo de tornar o amor eterno. Eterno? Sem fim? Como um desejo de eternizar-se?<\/p>\n<p>Estamos a todo o tempo \u00e0s voltas com a er\u00f3tica do tempo na sua rela\u00e7\u00e3o com o come\u00e7o, meio e fim. N\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, est\u00e1 no limite entre a linguagem e o simb\u00f3lico. H\u00e1 a impossibilidade de se dizer tudo ao pensar a finitude.<\/p>\n<p>Esse significante \u201cfim\u201d aparece como um unheimlich, um estranho, um desconhecido, e que ao mesmo tempo pode se transmutar em algo familiar, velho conhecido. Basta pensar que antes do final \u00e9 s\u00f3 encerrar um ciclo, um per\u00edodo de vida e abrir novamente. Parece c\u00ednico, mas acalenta.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre singular o modo de lidar com o fim, seja pela sensa\u00e7\u00e3o de desamparo ou do saber fazer a\u00ed.<\/p>\n<p>Que possamos nos abrir a escrever sobre esse imposs\u00edvel\/poss\u00edvel de suportar, a partir das experi\u00eancias em an\u00e1lise e fora dela.<\/p>\n<p>Anunciamos que neste ano a revista Lapsus partir\u00e1 do tema \u201cfim\u201d para a elabora\u00e7\u00e3o dos artigos para o n\u00famero a ser lan\u00e7ado no segundo semestre de 2026. Aguardamos seus escritos.<\/p>\n<p>Vejam os crit\u00e9rios de publica\u00e7\u00e3o na p\u00e1gina da revista.<\/p>\n<p>Prazo de envio dos trabalhos: at\u00e9 8 de setembro de 2026.<\/p>\n<p><strong>FIM<\/strong><\/p>\n<p><em>Liliane Sales<br \/>\nEditora da Lapsus<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Refer\u00eancias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">FREUD, S. Considera\u00e7\u00f5es atuais sobre a guerra e a morte. (Zeitgem\u00e4\u00dfes \u00fcber Krieg und Tod) (1915). In: FREUD, S. Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. v. XIV. Tradu\u00e7\u00e3o: Themira de Oliveira Brito, Paulo Henriques Britto e Christiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Imago, ano.1920 p. 285<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">FREUD, S. O estranho. (1919) In: FREUD, S. Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. v. XVII. Tradu\u00e7\u00e3o: Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 247-290.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LACAN, J. O tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada. (1945) In: LACAN, J. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 197-213.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convite para envio de trabalhos FIM Fim \u2013 esse significante que nos leva a tantos significados e possibilidades, assim como nos leva ao ponto-final. Para Freud, h\u00e1 um paradoxo em que a morte \u00e9 um fato ineg\u00e1vel, mas tamb\u00e9m o nosso inconsciente a torna inconceb\u00edvel. 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