{"id":1507,"date":"2016-12-18T07:45:14","date_gmt":"2016-12-18T09:45:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1507"},"modified":"2020-07-04T11:12:14","modified_gmt":"2020-07-04T14:12:14","slug":"obesidade-e-narcisismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2016\/12\/18\/obesidade-e-narcisismo\/","title":{"rendered":"Obesidade e narcisismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"page\" title=\"Page 9\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h6>Andre\u0301a Pato<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>A escuta do paciente obeso provoca o analista a buscar dar sentido a\u0300quilo que parece ser simplesmente desprovido disto. A ideia no presente texto e\u0301 discutir um ponto muito preciso que surge a partir da observac\u0327a\u0303o cli\u0301nica de alguns casos e, seguramente, na\u0303o diz respeito a todos. Trata-se de um sem sentido absoluto. Algo que na\u0303o entra na lo\u0301gica da demanda, pois parece que na\u0303o esta\u0301 em cena um outro a quem dirigi-la. O obeso geralmente apresenta um corpo hiperexcitado pelo lugar central em que se coloca no investimento da sua pro\u0301pria libido e pela vive\u0302ncia muito prima\u0301ria de que e\u0301 ainda centro das intenc\u0327o\u0303es e interesse do mundo.<\/p>\n<p>Alguns autores, como Gunfinkel (2011), acreditam que nas adic\u0327o\u0303es de forma geral -a comida sendo uma delas-, existe um &#8220;narcisismo prima\u0301rio absoluto e perturbado na tarefa mais ba\u0301sica de constituic\u0327a\u0303o do aparelho psi\u0301quico e suas insta\u0302ncias&#8221; (p.69).<\/p>\n<p>Freud (1914), em relac\u0327a\u0303o ao prejui\u0301zo causado pelo excesso de libido voltada para o pro\u0301prio corpo, diz:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) o desprazer e\u0301 sempre a expressa\u0303o de um grau mais elevado de tensa\u0303o e que, portanto, o que ocorre e\u0301 que uma quantidade no campo dos acontecimentos materiais e\u0301 transformada, aqui como em outros lugares, na qualidade psi\u0301quica do desprazer (&#8230;) Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo, acima de tudo, um dispositivo destinado a dominar as excitac\u0327o\u0303es que de outra forma seriam sentidas como aflitivas ou teriam efeitos patoge\u0302nico (p. 92).<\/p><\/blockquote>\n<p>O que se percebe na escuta desses pacientes e\u0301 que a comida constante vem barrar uma tensa\u0303o corporal que e\u0301 vivida de forma insuporta\u0301vel. Nota-se um narcisismo que sinaliza algo falho na construc\u0327a\u0303o do aparelho psi\u0301quico, deixando o sujeito sem recursos simbo\u0301licos para conter o excesso da experie\u0302ncia afetiva que, muitas vezes, se aproxima da angu\u0301stia psico\u0301tica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 10\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Fala-se de narcisismo por conta de um modo de gozar que exclui o outro ou o que quer que possa ser compartilhado. Na\u0303o se trata dos excessos cometidos em dias de festa e sim de todo o resto escandaloso que precisa comer para manter 50kg de excesso de peso. Esse \u201ca mais\u201d se faz quando todos os outros ja\u0301 foram dormir.<\/p>\n<p>O obeso faz alterac\u0327a\u0303o na sua vida sexual, substituindo o prazer genital pelo prazer promovido pela comida, o que se torna, gradualmente, sua finalidade sexual dominante (Gunfinkel, 2011). Fica evidente a busca incessante por prazer, que suplanta qualquer outro interesse, sexual ou na\u0303o.<\/p>\n<p>Na obesidade, como em outras adic\u0327o\u0303es, ha\u0301 um vi\u0301cio em se ter o ma\u0301ximo de prazer possi\u0301vel; o que, em geral, esta\u0301 associado com pouca ou nenhuma inclusa\u0303o do prazer do outro. E\u0301 comum escutar pacientes falando do vi\u0301cio na paixa\u0303o, que vem associado a\u0300 dificuldade em estabelecer vi\u0301nculos amorosos a longo prazo. A posic\u0327a\u0303o narci\u0301sica dificulta que o sujeito se mantenha na relac\u0327a\u0303o quando a excitac\u0327a\u0303o e as surpresas se tornam mais escassas. Ele na\u0303o pode amar o objeto e suas sutilezas, apenas quer ser amado por este e usa\u0301-lo enquanto lhe proporcionar satisfac\u0327a\u0303o.<\/p>\n<p>Assim, e\u0301 feita uma compensac\u0327a\u0303o soma\u0301tica constante para assegurar a inserc\u0327a\u0303o social do sujeito que na\u0303o suporta intervalos na sua satisfac\u0327a\u0303o e necessita sempre de algo que fac\u0327a escoamento ao seu excesso de sensac\u0327o\u0303es.<\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div><\/div>\n<div class=\"column\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 11\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h6>Refere\u0302ncias<\/h6>\n<h6>CHARBONNEAU &amp; MOREIRA. (2013) Fenomenologia do transtorno do comportamento alimentar hiperfa\u0301gico e adic\u0327o\u0303es. Rev. Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental. Sa\u0303o Paulo, 16(4), 529-540.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1914) Sobre o Narcisismo: uma introduc\u0327a\u0303o. In: Edic\u0327a\u0303o Standard Brasileira das Obras Psicolo\u0301gicas completas de S. Freud (Jayme Saloma\u0303o, trad.). (Vol. 14, pp. 81 a 108). Rio de Janeiro: Imago, 2006.<\/h6>\n<h6>________. (1917) Confere\u0302ncia XXVI: A teoria da libido e o narcisismo. In: Edic\u0327a\u0303o Standard Brasileira das Obras Psicolo\u0301gicas completas de S. Freud (Jayme Saloma\u0303o, trad.). (Vol. 16, pp. 413 a 431). Rio de Janeiro: Imago, 2006.<\/h6>\n<h6>GURFINKEL, D. (2011) Adic\u0327o\u0303es: paixa\u0303o e vi\u0301cio. Sa\u0303o Paulo: Casa do Psico\u0301logo.<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andre\u0301a Pato A escuta do paciente obeso provoca o analista a buscar dar sentido a\u0300quilo que parece ser simplesmente desprovido disto. A ideia no presente texto e\u0301 discutir um ponto muito preciso que surge a partir da observac\u0327a\u0303o cli\u0301nica de alguns casos e, seguramente, na\u0303o diz respeito a todos. 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