{"id":1514,"date":"2016-12-18T07:54:52","date_gmt":"2016-12-18T09:54:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1514"},"modified":"2020-07-04T11:11:57","modified_gmt":"2020-07-04T14:11:57","slug":"o-sintoma-e-o-real-do-trauma-revisitando-o-conceito-de-repetic%cc%a7a%cc%83o-em-lacan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2016\/12\/18\/o-sintoma-e-o-real-do-trauma-revisitando-o-conceito-de-repetic%cc%a7a%cc%83o-em-lacan\/","title":{"rendered":"O sintoma e o real do trauma \u2013 revisitando o conceito de repetic\u0327a\u0303o em Lacan"},"content":{"rendered":"<h6>Paula Goulart<\/h6>\n<p>Na constituic\u0327a\u0303o do sintoma e em seus efeitos de repetic\u0327a\u0303o, qual seria o real, qual trauma que estaria instalado ai\u0301?<\/p>\n<p>O aforismo lacaniano \u2018na\u0303o ha\u0301 relac\u0327a\u0303o sexual\u2019 pode nos servir de ponto de partida nessa investigac\u0327a\u0303o, ja\u0301 que o ser falante na\u0303o dispo\u0303e do saber sobre o real, sobre o gozo sexual. O que colocaria o trauma como esse encontro com um gozo sexual sem o amparo de um saber sobre a sexualidade, deixando para o sujeito um enigma.<\/p>\n<p>O sintoma emergiria como meta\u0301fora, que tenta responder a esse enigma sobre o gozo sexual. As respostas sa\u0303o sempre particulares, ja\u0301 que a relac\u0327a\u0303o entre o homem e a mulher na\u0303o pode ser calculada pela natureza.<\/p>\n<p>Enquanto meta\u0301fora, o sintoma apontaria para o retorno de uma experie\u0302ncia reprimida. O trauma origina\u0301rio, ponto central dessa experie\u0302ncia, como a pro\u0301pria cena infantil que vai se organizar com a formulac\u0327a\u0303o da fantasia inconsciente, por parte do sujeito.<\/p>\n<p>O real pode ser tomado, enta\u0303o, como uma coordenada do sintoma enquanto \u2018janela\u2019 do fantasma. O fantasma viria recobrir esse encontro contingencial, velando o gozo que po\u0303e em jogo a ause\u0302ncia desse saber sobre o sexo.<\/p>\n<p>Freud estabelece uma relac\u0327a\u0303o de causalidade entre trauma e sintoma em suas teorias do trauma e da fantasia. Para ele, haveria um trauma ocasional, produtor do sintoma; e um trauma origina\u0301rio, representante da irrupc\u0327a\u0303o do real na vida do sujeito. A causa apareceria, enta\u0303o, no apre\u0301s-coup de seus efeitos.<\/p>\n<p>O caso Emma, tomado como exemplo, tem a cena 2 interpretada como o encontro contingente que leva a\u0300 repetic\u0327a\u0303o, encontro como auto\u0302maton, na perspectiva lacaniana. Apo\u0301s ele e\u0301 que surgem os sintomas, como retorno de uma experie\u0302ncia reprimida.<\/p>\n<p>O trauma origina\u0301rio, constitui\u0301do por uma cena infantil, faz irromper um gozo sexual para Emma na ause\u0302ncia de um saber sobre o sexo. Esse encontro trauma\u0301tico com o real e\u0301 a tique\u0302.<\/p>\n<p>Lacan, no Semina\u0301rio 11, sinaliza que o lugar do real vai do trauma a\u0300 fantasia, fazendo dela uma tela dissimuladora do que ha\u0301 de determinante na func\u0327a\u0303o da repetic\u0327a\u0303o.<\/p>\n<p>A fantasia por vezes mostra e oculta esse encontro trauma\u0301tico do sujeito com o real.<\/p>\n<p>Stevens, ao equacionar o final de ana\u0301lise e sua relac\u0327a\u0303o com a fantasia, aponta que nos depoimentos o que se encontra sa\u0303o franqueamentos, abordagens do real. O sinthoma, testemunho do modo como o sujeito se confronta com a pulsa\u0303o, aparece como um ponto situado mais-ale\u0301m da fantasia.<\/p>\n<p>Para Stevens, a noc\u0327a\u0303o de saber-fazer com seu sinthoma debulha como as marcas de gozo sa\u0303o as respostas do sujeito a\u0300 inexiste\u0302ncia da relac\u0327a\u0303o sexual, do saber sobre a sexualidade.<\/p>\n<p>Retomando enta\u0303o a ana\u0301lise do trauma freudiano como encontro contingente com o gozo sexual e como ocasia\u0303o para construc\u0327a\u0303o de uma resposta particular, o sinthoma se constituiria como resposta do sujeito a\u0300 repetic\u0327a\u0303o (tique\u0302) e todos os acontecimentos de uma certa modalidade do real (actings out, passagens ao ato, atos falidos, acidentes) poderiam ser lidos como significac\u0327o\u0303es do sinthoma.<\/p>\n<p>Seriam feno\u0302menos causados pela repetic\u0327a\u0303o do sinthoma (auto\u0302maton) e pela posic\u0327a\u0303o do sujeito no discurso, demonstrando que ha\u0301 sempre um primeiro sentido, por efeito de apre\u0301s-coup, em todo encontro posterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refere\u0302ncias<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964) O Semina\u0301rio Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicana\u0301lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.<\/h6>\n<h6>STEVENS, A. El si\u0301ntoma y lo real del trauma. Estudios psicoanali\u0301ticos. Trauma y discurso n. 4. Eolia &#8211; Miguel Go\u0301mez Ediciones.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Goulart Na constituic\u0327a\u0303o do sintoma e em seus efeitos de repetic\u0327a\u0303o, qual seria o real, qual trauma que estaria instalado ai\u0301? O aforismo lacaniano \u2018na\u0303o ha\u0301 relac\u0327a\u0303o sexual\u2019 pode nos servir de ponto de partida nessa investigac\u0327a\u0303o, ja\u0301 que o ser falante na\u0303o dispo\u0303e do saber sobre o real, sobre o gozo sexual. O&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-1514","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed-020","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1514"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1515,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1514\/revisions\/1515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1514"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=1514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}