{"id":1648,"date":"2019-10-21T18:09:38","date_gmt":"2019-10-21T21:09:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1648"},"modified":"2019-10-22T13:41:10","modified_gmt":"2019-10-22T16:41:10","slug":"sonhos-e-despertares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2019\/10\/21\/sonhos-e-despertares\/","title":{"rendered":"Sonhos e despertares"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1691\" aria-describedby=\"caption-attachment-1691\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1691\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_010.png\" alt=\"Christian Schloe , Portrait\" width=\"400\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_010.png 697w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_010-240x300.png 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1691\" class=\"wp-caption-text\">Christian Schloe , Portrait<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Luiza Sarno<\/h6>\n<p>Em um movimento de tor\u00e7\u00f5es, semelhante a l\u00f3gica da topologia, Carolina Koretzky (2019) percorre os ensinos de Freud e Lacan visando apreender diversos deslocamentos na concep\u00e7\u00e3o dos sonhos e dos despertares. De in\u00edcio, \u00e9 importante atentar que abordar a quest\u00e3o no plural n\u00e3o \u00e9 ao acaso.<\/p>\n<p>O sonho, como via regia do inconsciente, pode ser tomado como uma montagem significante que garante o desejo de dormir. Entretanto, paradoxalmente, o real que o sonho aponta pode ser apreendido com o Um que se desperta. O despertar refere ao encontro faltoso entre o significante e o real, lan\u00e7ando o sonho \u2013 aqui, tomado como pesadelo &#8211; na mesma l\u00f3gica dos fen\u00f4menos do inconsciente que se apresentam a partir da descontinuidade, tais como, o lapso, o ato falho, o sintoma e a passagens ao ato.<\/p>\n<p>Sair da outra cena do sonho para a cena da fantasia neur\u00f3tica n\u00e3o refere necessariamente ao despertar. O termo despertar \u00e9 tomado em diferentes vertentes, passando pelos fen\u00f4menos de irrup\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia diante do encontro traum\u00e1tico, pelas surpresas da interpreta\u00e7\u00e3o, pela queda de uma identifica\u00e7\u00e3o, pelo assombro de um significante novo e, finalmente no \u00faltimo Lacan, o despertar \u00e9 tomado como imposs\u00edvel, ou seja, algo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se inscrever. Essas diferentes concep\u00e7\u00f5es do despertar est\u00e3o intrinsecamente articuladas a diferentes concep\u00e7\u00f5es do final da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Os sonhos traum\u00e1ticos foram tratados atrav\u00e9s de relatos dos sonhos de judeus que passaram por campos de concentra\u00e7\u00e3o. Nos campos de concentra\u00e7\u00e3o os sonhos visavam a realiza\u00e7\u00e3o do desejo possibilitando preservar o adormecer como forma de defesa frente a um mundo onde o real sem lei impera. Entretanto, ao retomar a vida em liberdade, os sonhos reviviam as crueldades do per\u00edodo de pris\u00e3o, se constituindo como sonhos traum\u00e1ticos. Essa experi\u00eancia limite, aponta que \u201ctudo \u00e9 ilus\u00e3o, que n\u00e3o importa qual foi a comodidade encontrada, a vida \u00e9 s\u00f3 um sonho onde tudo, de pronto, pode desmoronar-se\u201d (KORETZKY, 2019, p. 163-164). A experi\u00eancia inassimil\u00e1vel retorna, frente \u00e0 impossibilidade de ser elaborada e absorvida, nos sonhos traum\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O desmoronar de uma fic\u00e7\u00e3o se presentifica numa an\u00e1lise que dura, pois o analisante torna-se advertido da irremedi\u00e1vel inadequa\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o frente ao real. Um processo anal\u00edtico ao come\u00e7ar permite que o analisante construa uma fic\u00e7\u00e3o sobre o real de seu gozo. Entretanto, a an\u00e1lise que avan\u00e7a p\u00f3s travessia da fantasia visa desmontar essa fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A autora trilha de forma cuidadosa e criteriosa a cl\u00ednica psicanal\u00edtica permitindo resgatar a inquietude imprescind\u00edvel da an\u00e1lise frente aos sonhos e aos despertares. Deste modo, \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d (FREUD, 1900), trabalho inaugural da psican\u00e1lise, ao ser retomado a partir do \u00faltimo ensino de Lacan delineia o deslocamento realizado na pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a interpreta\u00e7\u00e3o e o pesadelo t\u00eam como cerne o real que o umbigo do sonho aponta, possibilitando que um ato de ruptura aconte\u00e7a. Mesmo que o despertar seja da ordem do imposs\u00edvel, no \u00faltimo Lacan, a ruptura impede que se adorme\u00e7a do mesmo modo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUS, S. (1900). <em>Interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos.<\/em> In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, vol.IV . Rio de Janeiro: Imago, 1987.<\/h6>\n<h6>KORETZKY,C. <em>Suenos y despertares: uma elucidaci\u00f3n psicoanal\u00edtica.<\/em> Olivos: Grama Edi\u00e7\u00f5es, 2019.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiza Sarno Em um movimento de tor\u00e7\u00f5es, semelhante a l\u00f3gica da topologia, Carolina Koretzky (2019) percorre os ensinos de Freud e Lacan visando apreender diversos deslocamentos na concep\u00e7\u00e3o dos sonhos e dos despertares. De in\u00edcio, \u00e9 importante atentar que abordar a quest\u00e3o no plural n\u00e3o \u00e9 ao acaso. 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