{"id":1650,"date":"2019-10-21T18:10:46","date_gmt":"2019-10-21T21:10:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1650"},"modified":"2019-10-22T13:36:49","modified_gmt":"2019-10-22T16:36:49","slug":"a-fuga-do-sentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2019\/10\/21\/a-fuga-do-sentido\/","title":{"rendered":"A fuga do sentido"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1690\" aria-describedby=\"caption-attachment-1690\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1690\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_009.png\" alt=\"Christian Schloe , \u201cThe Beginning Art Print\u201d\" width=\"400\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_009.png 883w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_009-300x146.png 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/lapsus_017_009-768x375.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1690\" class=\"wp-caption-text\">Christian Schloe , \u201cThe Beginning Art Print\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Julia Solano<\/h6>\n<hr \/>\n<blockquote><p>MILLER, Jacques-Alain. <strong>La fuga del sentido<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012. p. 262.<\/p>\n<p>Pero cuando digo despertar, pienso en otra cosa diferente a ese despertar del inter\u00e9s. Pienso precisamente en el despertar que interviene en la pesadilla, y tal como Lacan lo dice en el Seminario 11 precisamente. Ocurre cuando encontramos algo que no es del todo atractivo sino, por el contrario, algo que produce horror, y de lo que no se querr\u00eda saber nada m\u00e1s, hasta el punto de que despertamos para, como lo dice Lacan, continuar so\u00f1ando con los ojos abiertos, para no continuar el sue\u00f1o de horror. All\u00ed, en la pesadilla, hay un verdadero encuentro con el Otro, el verdadero Otro, es decir, lo real. Cuando el dormir ya no est\u00e1 protegido por el sue\u00f1o, cuando no podemos continuar gozando al so\u00f1ar, y la pulsi\u00f3n precipita al sujeto en la realidad para que contin\u00fae so\u00f1ando con los ojos abiertos.<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<p>No texto em quest\u00e3o, Miller tra\u00e7a a trajet\u00f3ria do conceito de interpreta\u00e7\u00e3o no ensino de Lacan, circunscrevendo-o em tr\u00eas momentos.<br \/>\nO primeiro momento est\u00e1 relacionado as primeiras produ\u00e7\u00f5es de Lacan que define a interpreta\u00e7\u00e3o\u00a0como a decifra\u00e7\u00e3o daquilo que n\u00e3o pode ser dito pelo sujeito. A interpreta\u00e7\u00e3o lacaniana, nesse per\u00edodo, est\u00e1 diretamente relacionada a articula\u00e7\u00e3o significante e visa sobretudo desvelar o significado reprimido de determinado conte\u00fado, semelhante ao que Freud propunha.<\/p>\n<p>O segundo momento da interpreta\u00e7\u00e3o em Lacan encontra-se no semin\u00e1rio 11, quando ele aponta para a rela\u00e7\u00e3o da sexualidade com o inconsciente, situando-a para al\u00e9m da linguagem. O inconsciente passa a ser concebido como uma descontinuidade, uma fissura, que toma a forma de uma borda\u00a0que se abre e se fecha. No momento da abertura, surgem as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente dispostas a decifra\u00e7\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 situada a\u00ed, marcando assim o movimento repetitivo do significante que obriga o sujeito a circular infinitamente em torno do mesmo ponto, evitando, dessa forma, o \u201cencontro sempre falho com o real\u201d. O objeto<em> a<\/em> barra essa repeti\u00e7\u00e3o na medida em que se localiza obturando a borda, produzindo, assim, o seu fechamento. Tudo que \u00e9 da ordem desse fechamento aponta para a sexualidade, inapreens\u00edvel pela vertente simb\u00f3lica. Diante do fechamento, cabe ao analista recorrer a interpreta\u00e7\u00e3o, relan\u00e7ando o sujeito nos sentidos infinitos da cadeia significante que promove uma abertura do inconsciente. \u00c9 interessante perceber que Lacan, apesar de admitir a exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o entre puls\u00e3o e significante, opta por mant\u00ea-los disjuntos. O surgimento do objeto<em> a<\/em> na cena anal\u00edtica \u00e9, nesse momento, visto como um entrave, e o simb\u00f3lico se configura como a principal vertente na dire\u00e7\u00e3o da cura.<\/p>\n<p>Mais adiante, esse impasse vai ser resolvido, levando-nos ao terceiro momento destacado por Miller no ensino de Lacan. \u00c9 a \u00e9poca do semin\u00e1rio <em>Mais, ainda<\/em>, na qual o inconsciente passa a se definir como um querer gozar ao inv\u00e9s de um querer dizer e o conceito de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 virado do avesso. Nesse per\u00edodo em que o registro real assume primazia no desenvolvimento lacaniano, a interpreta\u00e7\u00e3o passa a visar al\u00e9m do sentido, apontando para o objeto <em>a<\/em>. A interpreta\u00e7\u00e3o, nessa perspectiva, deve ser tomada como um despertar, diz Miller. N\u00e3o se trataria do que poderia ser tomado como um despertar do interesse, mas de algo que se assemelharia a um despertar do pesadelo. Durante o pesadelo h\u00e1 um encontro com um Outro real que causa horror ao sujeito, fazendo-o acordar para continuar sonhando com a realidade que nada mais \u00e9 do que uma vers\u00e3o do mundo que se enquadra perfeitamente ao seu modo de gozo. Ou seja, o sujeito acorda do pesadelo para continuar a dormir. Lacan nos lembra que o inconsciente tem a tend\u00eancia natural de fazer o sujeito adormecer; a fantasia fundamental \u00e9 um exemplo disso, na medida em que o engessa em uma realidade fixa, condicionando-o a interpretar os acontecimentos sempre a partir de um determinado enquadramento. \u00c9 como pilotar o carro em piloto autom\u00e1tico em uma pista reta. S\u00f3 \u00e9 preciso olhar pra frente e se deixar ser guiado sempre na mesma velocidade; permanecer nisso por algum tempo inevitavelmente d\u00e1 sono. Pode ser que de repente surja um grande buraco no meio do caminho e isso provavelmente promover\u00e1 um despertar. A partir da\u00ed, ser\u00e1 preciso encarar a estrada de outra forma, rever a velocidade, poss\u00edveis danos sofridos pelo carro, checar se \u00e9 necess\u00e1rio encontrar outra rota; o fato \u00e9 que a viagem j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 como antes. Haver\u00e1 um antes e depois do buraco. A interpreta\u00e7\u00e3o como despertar \u00e9 justamente o buraco na estrada. Uma interven\u00e7\u00e3o que aponta para o furo, retirando o sujeito dos circuitos infinitos da trama simb\u00f3lica que o contornam at\u00e9 o adormecimento. H\u00e1 um antes e depois desse encontro com o real. O sujeito n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo ap\u00f3s vivenci\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Seria algo an\u00e1logo ao que ocorre com Freud, quando, durante seu sonho, encara horrorizado a boca aberta de Irma. Ele realiza uma an\u00e1lise minuciosa do sonho que o conduz em uma narrativa em torno do sentimento de culpabilidade, mas o que o desperta n\u00e3o diz respeito a isso, mas ao encontro traum\u00e1tico com essa boca que se abre remetendo-o ao real da morte e da sexualidade sobre o qual nada consegue dizer a respeito. Ele \u00e9 dur\u00e3o, nos lembra Lacan, e por isso segue dormindo para continuar desperto, encarando o real de frente. Essa \u00e9 a li\u00e7\u00e3o que Freud nos deixa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julia Solano MILLER, Jacques-Alain. La fuga del sentido. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012. p. 262. Pero cuando digo despertar, pienso en otra cosa diferente a ese despertar del inter\u00e9s. Pienso precisamente en el despertar que interviene en la pesadilla, y tal como Lacan lo dice en el Seminario 11 precisamente. 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