{"id":1891,"date":"2020-11-30T18:53:29","date_gmt":"2020-11-30T21:53:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1891"},"modified":"2020-11-30T18:53:29","modified_gmt":"2020-11-30T21:53:29","slug":"umdemia-novas-licoes-de-um-despertar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2020\/11\/30\/umdemia-novas-licoes-de-um-despertar\/","title":{"rendered":"\u201c(Um)demia\u201d: novas li\u00e7\u00f5es de um despertar?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1855\" aria-describedby=\"caption-attachment-1855\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1855\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016.jpg\" alt=\"Eugenia Loli - Pleiadian Surfer - 2016\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016.jpg 2160w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2-Eugenia-Loli-City-Bowling-2016-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1855\" class=\"wp-caption-text\">Eugenia Loli &#8211; Pleiadian Surfer &#8211; 2016<\/figcaption><\/figure>\n<h6><em>Pauleska Asevedo Nobrega<\/em><\/h6>\n<h6><em>Participante da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Nordeste<\/em><\/h6>\n<p>A alegoria m\u00edtico-religiosa do pecado original de Ad\u00e3o e Eva, pode muito bem ilustrar o paradigma da incid\u00eancia do gozo no cora\u00e7\u00e3o do la\u00e7o social, tema t\u00e3o caro \u00e0 Lacan. Na medida em que tamb\u00e9m denuncia a fal\u00e1cia da exist\u00eancia de um para\u00edso poss\u00edvel, a modalidade de gozo de cada ser falante torna a subvers\u00e3o muito pr\u00f3xima da constitui\u00e7\u00e3o humana ou mesmo, o seu fundamento.<\/p>\n<p>Os riscos fat\u00eddicos num contexto de pandemia convocaram nos confins do simb\u00f3lico, uma muta\u00e7\u00e3o no la\u00e7o social a partir da interdi\u00e7\u00e3o de um modo de gozar j\u00e1 conhecido em seu empuxo ao ilimitado (BASSOLS, 2017). E aqui nos cabe, sobretudo, tamb\u00e9m observar os limites desse simb\u00f3lico diante da radicalidade de uma descontinuidade. Quando a finitude tem sua nuance apocal\u00edptica, de rachadura, mas tamb\u00e9m de for\u00e7amento. Atrav\u00e9s do semblante de superioridade num universo heterog\u00eanio, o homem domina, coloniza, explora e invade para gozar de propriedade, imerso na armadilha de que tudo o que j\u00e1 lhe est\u00e1 dado \u00e9 seu, portanto, inesgot\u00e1vel, independentemente dos seus atos. Sem se dar conta de que, se a cren\u00e7a na imortalidade do gozo se sustenta, \u00e9 apenas fantasmaticamente ou delirantemente, encobrindo assim a sua ferida narc\u00edsica, pois a vida, o desejo e o gozo somente se articulam a partir do que n\u00e3o se pode inscrever no real, como diria Bassols (2017).<\/p>\n<p>Nos diz Lacan (1964), que o Nome-do-pai sustenta a estrutura do desejo como da lei, mas a sua heran\u00e7a, a qual nos designa, \u00e9 o seu pecado. Quer dizer, a for\u00e7a da transmiss\u00e3o de um gozo embara\u00e7ador que est\u00e1 num para-al\u00e9m da lei, \u00e9 sempre imperativa, ao passo que esse imp\u00e9rio \u00e9 desprovido de todo e qualquer aparato simb\u00f3lico. O coronav\u00edrus, apesar de n\u00e3o ser um corpo falante, enquanto v\u00edrus, n\u00e3o \u00e9 sem os corpos e, tem posto o falante dos corpos em a\u00e7\u00e3o. Diz-se que a sua mensagem \u00e9 sobre um novo normal. Se esse fen\u00f4meno introduziu uma barra no cerne do la\u00e7o social, aquela que divide ou separa, tempos, espa\u00e7os adversos e, sujeitos, consideremos o seu para-al\u00e9m, muito mais do que apenas a sua face de uma interdi\u00e7\u00e3o subjetiva. A profecia nesse aspecto traz algo de pat\u00e9tico, al\u00e9m de mort\u00edfero e, p\u00f5e em causa uma quest\u00e3o estrutural: a debilidade humana.<\/p>\n<p>Para Lacan, essa debilidade \u00e9, antes, a sua interpreta\u00e7\u00e3o para a precariedade do aparelho de linguagem estancar simbolicamente o gozo como tal e seus efeitos. Para a psican\u00e1lise, a debilidade n\u00e3o \u00e9 tratada como uma defici\u00eancia cognitiva, mas como uma quest\u00e3o \u00e9tica da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o seu gozo, com o Outro e com o falo no tratamento do real pela linguagem.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rcia Rosa (2008, [s\/p]), baseando-se nas leituras que faz de Plat\u00e3o, Ernest Jones e Hamlet na obra de Shakespeare, Lacan elaborou a debilidade a partir de tr\u00eas formula\u00e7\u00f5es do aparelho da linguagem frente ao real: \u201ccomo inibi\u00e7\u00e3o intelectual, como incapacidade de colocar o desejo do Outro em quest\u00e3o e, finalmente, como incapacidade de instalar-se solidamente em um discurso\u201d.<\/p>\n<p>Pois bem, a pandemia nos convoca a um estado de guerra, no limite das trincheiras de gozo e nos p\u00f5e \u00e0 prova eticamente. Nesse sentido, as formula\u00e7\u00f5es postas por Lacan em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 debilidade poderiam orientar a leitura desse momento? Como seria pens\u00e1-lo um terreno f\u00e9rtil para um esfor\u00e7o de mobilizar essas defesas? De alguma maneira, a desinibi\u00e7\u00e3o intelectual como uma revis\u00e3o da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com o gozo que \u00e9 sempre autoer\u00f3tico, mas que repercute no social; a desfamiliariza\u00e7\u00e3o do desejo do Outro, e, a posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o vacilante do sujeito em um discurso, como um ato desejante, serviriam a alguns despertares na lida com o real.<\/p>\n<blockquote><p>Um pensamento adequado enquanto pensamento, no n\u00edvel em que estamos, evita sempre \u2013 ainda que para se reencontrar em tudo \u2013 a mesma coisa. O real \u00e9 aqui o que retorna sempre ao mesmo lugar \u2013 a esse lugar onde o sujeito, na medida em que ele cogita, onde a <em>res cogitans, <\/em>n\u00e3o o encontra (LACAN, 1964, p. 55).<\/p><\/blockquote>\n<p>Para-al\u00e9m da dimens\u00e3o de interdi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o real no horizonte dos despertares da debilidade constitutiva. A China derrubou as suas muralhas, contrariando a tend\u00eancia do levantamento de muros de alguns l\u00edderes pol\u00edticos no s\u00e9culo XXI. A ideia de unifica\u00e7\u00e3o da antiga Babel, foi decodificando os discursos que pulverizavam um certo real dos liberalismos, em sua pluralidade, como diria Laurent (2019). A saber, os excessos do consumismo do economicamente correto, do <em>welfare<\/em> <em>state<\/em> do homem moderno que separa os corpos atrav\u00e9s de um em-si-mesmamento, cada qual com o seu micro-empreendendorismo. O capital lan\u00e7ado ao z\u00eanite social em v\u00f4os cada vez mais sem fronteiras, n\u00e3o impediu a err\u00e2ncias dos corpos mortais, denunciando a instaura\u00e7\u00e3o j\u00e1 anterior de uma son\u00edfera ilha, onde jazem aqueles adormecidos na solid\u00e3o dos um-sozinhos.<\/p>\n<p>No dilema de uma batalha in\u00e9dita contra o inimigo invis\u00edvel, como assim fora chamado por alguns chefes de Estado, o que o v\u00edrus viria a encarnar de obsceno? Se a pandemia evocou o fen\u00f4meno da contamina\u00e7\u00e3o que ocorre mundialmente, n\u00e3o quer dizer que ela tenha feito dos humanos vulner\u00e1veis ao v\u00edrus, todos irm\u00e3os (ainda que todo romance familiar n\u00e3o passe de uma debilidade coletiva). Pelo contr\u00e1rio, o modelo de um gozo segregador tem operado ativamente no campo social (MACEDO, 2020), para fazer existir o Outro que n\u00e3o existe, seja atrav\u00e9s da ci\u00eancia, da economia, da igreja, da pol\u00edtica, da sa\u00fade, etc.<\/p>\n<p>E \u00e9 quanto ao que os significantes mestres de cada \u00e9poca mobilizam em termos pulsionais, que a psican\u00e1lise sempre esteve advertida, pois diante da inadequa\u00e7\u00e3o da palavra \u00e0 coisa, o real n\u00e3o pode sen\u00e3o mentir a quem se destinam esses significantes, j\u00e1 que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, fazendo da verdade uma utopia sempre capenga. Por isso, segundo Miller (1996), o termo despertar \u00e9 uma das nomea\u00e7\u00f5es de Lacan para o real enquanto imposs\u00edvel, o que n\u00e3o isenta da responsabilidade para com essa f\u00e1brica de discursos que comportam os semblantes projetados enquanto verdades universais de uma \u00e9poca.<\/p>\n<p>Com base em Lacan (1962-1965), na rela\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia com o desejo do Outro, o \u00eaxito da inibi\u00e7\u00e3o, nesse caso, seria paralisar, impedir o movimento ou n\u00e3o enxergar a dificuldade, numa evita\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia, logo, do desejo que da\u00ed poderia advir. Quando est\u00e1 em exerc\u00edcio persuadir o outro de que ele tem o que pode nos completar, jamais est\u00e1 em causa o \u201ceu n\u00e3o sei\u201d irredut\u00edvel que aponta para a falta, diria Miller (2011). A inibi\u00e7\u00e3o intelectual a nosso ver, poderia ser uma das respostas ao ideal totalit\u00e1rio forjado no Outro social, de modo n\u00e3o dialetiz\u00e1vel, um verdadeiro confinamento.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica nos tem interpelado de forma pragm\u00e1tica: quanto custa uma vida?\u00a0 No contexto atual, o abismo da crise financeira indica que a moeda j\u00e1 n\u00e3o tem a sua pot\u00eancia de mais-valia quando concorre com a vida humana, ao menos n\u00e3o, quando \u00e9 esta que est\u00e1 em crise. Se n\u00e3o se tem uma vida para ser vivida, para qu\u00ea moedas? Elas perdem o seu sentido ou, agora mais do que antes, revelam a sua dimens\u00e3o de <em>non<\/em> <em>sense<\/em>. Quando a economia numa sociedade passa a ser obrigatoriamente revisada, o que dizer das classes sociais? O que dizer do invis\u00edvel e indiz\u00edvel dos guetos segregados em castas de valor? No Brasil, em sua particularidade, com essa crise desvelam-se outras crises, como o parasitismo do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao povo brasileiro, lan\u00e7ando-o ao desafio de uma escolha imposs\u00edvel: ou a vida ou o capital. Mas a especula\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 ac\u00e9fala, objetal, fetichista, segundo nos ensina o marxismo, na medida em que imp\u00f5e uma l\u00f3gica da sobreviv\u00eancia, da mercadoria fora do circuito de trocas (MARX, 1867\/ 2013).<\/p>\n<p>Uma vez que a morte no horizonte do ciclo da vida humana est\u00e1 para todos, por outro lado, n\u00e3o temos visto que diante do v\u00edrus, somos todos mortais. Ele n\u00e3o nos p\u00f5e num mesmo barco quando na condi\u00e7\u00e3o de mortais, atinge a uns e n\u00e3o a outros, escolhidos para n\u00e3o morrer. A fantasmagoria do capital infl\u00e1vel, assalta o ser falante e sequestra o desejo numa onda apocal\u00edptica que antecipa o fim. Na aus\u00eancia de uma pol\u00edtica em respeito \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de que se esteja vivo para se gozar dela, da vida, caber\u00e1 a cada um, de soslaio, questionar-se sobre o invis\u00edvel, cuja aliena\u00e7\u00e3o significante imp\u00f5e simulacros e avatares de uma verdadeira pandemia de Outros. \u201cOra, ocorre que o significante 1 tem a virtude de adormecer. Adormecer \u00e9 o feito prim\u00e1rio de todo discurso, e isso vale igualmente para o analista quando ele se abandona \u00e0 escuta de seu paciente, \u00e0 hipnose ao avesso\u201d (MILLER, 1996, p.\u00a0 103).<\/p>\n<p>E, ent\u00e3o, \u00e0 servi\u00e7o da psican\u00e1lise, inserir a subjetividade, diz Lacan (1962-1965) compreendida por ele freudianamente: \u201cO que o Outro quer de mim?\u201d (p.14). \u00c9 fundamental, n\u00e3o para atender prontamente a essa demanda, mas para question\u00e1-la sob a \u00e9tica do despertar do desejo, desfamiliarizando-se dela e dos discursos m\u00faltiplos de sentidos com seus imperativos de gozo segregacionistas. Num mundo onde a loucura \u00e9 generalizada (pan), no n\u00edvel em que a debilidade mental \u00e9 o <em>status<\/em> constitutivo do <em>parl\u00eatre<\/em> atrav\u00e9s da mobilidade singular dos seus modos de gozo, como afirma Miller (2011), logo, n\u00e3o haveria possibilidade de um retorno \u00e0 normalidade, essa que nunca existiu.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise insiste sobre a avaria dos discursos sociais, quando no discurso anal\u00edtico engendra o desejo do analista \u00e0 servi\u00e7o do bem-dizer; no ensaio do indiz\u00edvel frente \u00e0 obscenidade. Em seu exerc\u00edcio subversivo, ao levar em conta o mist\u00e9rio do corpo falante para al\u00e9m da amea\u00e7a viral sobre a mat\u00e9ria, o analista aponta que o real mente para todo o mundo e que por isso, a verdade \u00e9 mentirosa sem exce\u00e7\u00f5es, no n\u00edvel em que todo o mundo est\u00e1 louco, ou seja, d\u00e9bil. Perceber a conting\u00eancia do modo de gozar, captado como fora do sentido, n\u00e3o diz respeito \u00e0 conting\u00eancia do v\u00edrus \u2013 se bem que poder\u00e1 advir dela; mas do Um, onde o Outro n\u00e3o faz mais c\u00f3pula. A presen\u00e7a do analista \u00e9 o que faz borda separadora do universal, preservando a elucubra\u00e7\u00e3o singular de saber que cada um pode fazer sobre a sua parcela de real. Que ateste com a sua presen\u00e7a o encontro com o real, a debilidade singular de cada um, mesmo quando o imperativo \u00e9 de que os corpos estejam de fora. Fazer um corpo \u00e9 sustentar o que h\u00e1 de subversivo na irrup\u00e7\u00e3o do caos, n\u00e3o perdendo de vista que o analista \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do inconsciente. E, serve ainda de inspira\u00e7\u00e3o do duro desejo de um despertar n\u00e3o-todo f\u00e1lico. O respeito \u00e0 an\u00e1lise, n\u00e3o estaria em normatizar ou educar o fora do sentido do gozo cooptado dos discursos que hipnotizam ou fazem dormir, mas, ao cumprir com a sua \u201c[&#8230;] fun\u00e7\u00e3o de escandir o encontro sempre faltoso com o real, aquele se passa entre sonho e despertar\u201d (MILLER, 1996, p. 105).<\/p>\n<p>Ir al\u00e9m do del\u00edrio ou do sonho, em certa medida sempre catastr\u00f3fico na loucura de cada um, diz do consentimento do analisante em se aproximar daquilo que a princ\u00edpio, nada quer saber, para formular a sua diferen\u00e7a absoluta. O sonho da borboleta de Tchuang-ts\u00e9<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, traz o vazio de sentido frente ao dilema de saber evocado pelo real, quando ele n\u00e3o sabe se, enquanto homem sonhara que fosse uma borboleta ou se, enquanto uma borboleta, sonhara que fosse um homem. Para a psican\u00e1lise entre homem e borboleta, h\u00e1 que saber-se extrair uma diferen\u00e7a singular num oceano de debilidades. Assim, a pandemia poderia dar lugar ao agenciamento do Um, com o que a psican\u00e1lise preza da rela\u00e7\u00e3o do campo uniano com o n\u00e3o-todo? Haveria lugar para a \u201c(Um)demia\u201d?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BASSOLS, M. <em>Lo feminino, entre centro y aus\u00eancia<\/em> (1a ed.). Olivos: Grama Ediciones, 2017.<\/h6>\n<h6>LAURENT, E.\u00a0 \u201c<em>Esta es la \u00e9poca de los<\/em> <em>l\u00edderes autorit\u00e1rios e inconsistentes<\/em>\u201d. La Nation, por Fernando Garc\u00eda, 2019. Dispon\u00edvel, em: &lt;https:\/\/www.lanacion.com.ar\/opinion\/biografiaeric-laurent-esta-es-la-epoca-de-los-lideres-autoritarios-e-inconsistentes-nid2317365&gt; Acesso em 01 de ago. 2020.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0(1964). <em>O Semin<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rio,<\/em>\u00a0Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0(1962-1963). <em>O Semin<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rio,<\/em>\u00a0Livro 10: a ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. <em>Sutilezas anal\u00edticas: los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain<\/em> <em>Miller<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. <em>Matemas I<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996.<\/h6>\n<h6>MAC\u00caDO, L. F. de. A biopol\u00edtica da pandemia. <em>Correio Express Extra. Rev. Eletr\u00f4nica da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise.<\/em> 2020, 26 mar., n.5. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2020\/03\/26\/a-biopolitica-da-pandemia\/?highlight=luc%C3%ADola&gt;. Acesso em 09 nov. 2020<\/h6>\n<h6>MARX, K.\u00a0<em>O capital: cr\u00edtica de economia pol\u00edtica. Livro I: O processo de produ\u00e7\u00e3o do capital.<\/em>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Enderle. S\u00e3o Paulo:\u00a0Boitempo, 2013 [1867]. Dispon\u00edvel em: &lt;www.academia.edu \/37390110\/Marx_O_capital_Livro_1_Boitempo_&gt;. Acesso em 09 nov. 2020.<\/h6>\n<h6>ROSA, M. Lacan e a debilidade mental de Plat\u00e3o e Ernest Jones. <em>Psicol. rev. (Belo Horizonte)<\/em>\u00a0[<em>on-line<\/em>]. 2008, vol.14, n.2, pp. 37-46. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1677-11682008000200003&gt;. Acesso em 09 ago. 2020.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Fil\u00f3sofo tao\u00edsta chin\u00eas, do s\u00e9culo IV a.C, autor da conhecida f\u00e1bula do sonho da borboleta, j\u00e1 citada por Jean-Claude Carri\u00e8rre, Jorge Lu\u00eds Borges e Raymond Queneau.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pauleska Asevedo Nobrega Participante da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Nordeste A alegoria m\u00edtico-religiosa do pecado original de Ad\u00e3o e Eva, pode muito bem ilustrar o paradigma da incid\u00eancia do gozo no cora\u00e7\u00e3o do la\u00e7o social, tema t\u00e3o caro \u00e0 Lacan. 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