{"id":1915,"date":"2020-11-30T19:18:00","date_gmt":"2020-11-30T22:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1915"},"modified":"2020-11-30T19:18:00","modified_gmt":"2020-11-30T22:18:00","slug":"a-catastrofe-saiu-da-tela-a-experiencia-do-infamiliar-entre-a-ficcao-e-o-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2020\/11\/30\/a-catastrofe-saiu-da-tela-a-experiencia-do-infamiliar-entre-a-ficcao-e-o-real\/","title":{"rendered":"A cat\u00e1strofe saiu da tela: a experi\u00eancia do infamiliar entre a fic\u00e7\u00e3o e o real"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1870\" aria-describedby=\"caption-attachment-1870\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1870\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/17-Joe-Webb-Selected-collages-image-asset-5.jpg\" alt=\"Joe Webb - Selected collages - image asset 5\" width=\"400\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/17-Joe-Webb-Selected-collages-image-asset-5.jpg 500w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/17-Joe-Webb-Selected-collages-image-asset-5-233x300.jpg 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1870\" class=\"wp-caption-text\">Joe Webb &#8211; Selected collages &#8211; image asset 5<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Giovana Reis Mesquita<\/h6>\n<h6>Participante do N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Audiovisual\u00a0 (IPB)<br \/>\nAluna do curso da Teoria da Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (IPB)<\/h6>\n<p>O desconforto e horror que a experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica pode produzir nos chamados cinema cat\u00e1strofe \u00e9 da mesma natureza que a experi\u00eancia que se pode viver em uma pandemia, tal qual a que nos assoma hoje? Talvez o texto de Freud sobre o infamiliar possa produzir algumas considera\u00e7\u00f5es sobre tal assunto.<\/p>\n<p>O cinema pode produzir prazer, exaltando a liga\u00e7\u00e3o entre o simb\u00f3lico e a libido, alimentando nossa puls\u00e3o esc\u00f3pica, alimentando nosso olho; essa abertura por onde se obt\u00e9m satisfa\u00e7\u00e3o pelas imagens. Freud (1905\/ 1996) destacava a import\u00e2ncia do olhar para a sexualidade humana quando diz que a \u201cimpress\u00e3o visual continua a ser o caminho mais frequente pelo qual se desperta a excita\u00e7\u00e3o libidinosa [&#8230;]\u201d (p. 148).<\/p>\n<p>Assim, o cinema cria todo um aparato para o gozo. O gozo pelo olhar. Curiosamente, ou nem tanto assim, o ano da primeira exibi\u00e7\u00e3o paga de cinema coincide com as primeiras investiga\u00e7\u00f5es de Freud em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Psican\u00e1lise, em 1895, e com a inven\u00e7\u00e3o do Raio-X. Ou seja, temos a\u00ed nessa \u00e9poca a conjun\u00e7\u00e3o desse olhar que procura satisfa\u00e7\u00e3o no conhecer com a ci\u00eancia, no gozar com o cinema e no saber do que se ignora com a Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O olho \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o do corpo que privilegiamos porque al\u00e9m de instrumento de saber, via pela qual se aprende, ele \u00e9 tamb\u00e9m fonte de satisfa\u00e7\u00e3o, por onde gozamos. Para Freud, o olho \u00e9 o buraco por onde entra o sexo no corpo atrav\u00e9s das primeiras imagens que nos marcam para sempre (ANTELO, 2015).<\/p>\n<p>Mas o que v\u00ea esse olho? O que provoca satisfa\u00e7\u00e3o ao olhar? Em outro texto, \u201cAl\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer\u201d, Freud (1920\/ 2010) nos traz a ideia de que a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa estar ligada necessariamente a sensa\u00e7\u00f5es prazerosas, mas, sim, tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00f5es dolorosas, \u00e0 repulsa ou ao horror. Pensando no cinema, essa possibilidade talvez possa justificar melhor o gosto que podemos ter por filmes que tratam das mais diversas cat\u00e1strofes e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Foi Hollywood quem nos familiarizou com esse tipo de filme que \u00e9 denominado de cinema cat\u00e1strofe<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> e tem em comum trazer hist\u00f3rias que falam da amea\u00e7a da vida na Terra, seja por invas\u00e3o alien\u00edgena, monstros, desastres da natureza ou doen\u00e7a. Parece que nesses casos o roteiro tem uma import\u00e2ncia menor e o que vale mais \u00e9 a capacidade de emular a realidade. Segundo Sontag (1987), esse g\u00eanero surgiu na d\u00e9cada de 1950 e gira sobre a fantasia humana de sobreviver a\u0300 pr\u00f3pria morte e a\u0300 destrui\u00e7\u00e3o da humanidade guiada pela presen\u00e7a de um her\u00f3i.<\/p>\n<p>Podemos dizer que nesses filmes o que o olho procura ver \u00e9 o nada, a castra\u00e7\u00e3o diante das inquieta\u00e7\u00f5es e supl\u00edcios apresentados na grande tela e que tamb\u00e9m s\u00e3o vivenciados pelo expectador quando suspende sua descren\u00e7a diante dela. Pode-se dizer que essa experi\u00eancia est\u00e9tica de horror equivale ao termo freudiano de infamiliar<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>?<\/p>\n<p>O infamiliar, para Freud (1919\/ 2019), se refere ao que \u00e9 terr\u00edvel, ao que provoca ang\u00fastia e horror. Mas ele \u00e9 infamiliar justamente por outrora ter sido familiar, por ser conhecido. Freud (1919\/ 2019) diz que: \u201c[&#8230;] o infamiliar \u00e9 aquela esp\u00e9cie de coisa assustadora que remonta ao que \u00e9 h\u00e1 muito conhecido, ao bastante familiar\u201d. (p. 28).<\/p>\n<p>Ao falar em coisa assustadora, Freud est\u00e1 pondo alguma rela\u00e7\u00e3o com o objeto olhar. O pr\u00f3prio exemplo que d\u00e1 \u2013 seu horror ao se ver velho no espelho quando desperta em um trem \u2013 traduz um infamiliar que vem pela via esc\u00f3pica; ligado ao horror e ao gozo. Dessa forma, podemos dizer que, sim, a experi\u00eancia est\u00e9tica do cinema pode produzir a experi\u00eancia do infamiliar em n\u00f3s. Esse termo n\u00e3o se refere a um objeto, mas, a uma experi\u00eancia que tem muito de \u00edntimo, de estranho e que pode ter a capacidade de dividir o sujeito.<\/p>\n<p>Mas Freud coloca que h\u00e1 uma diferen\u00e7a quando esse olho deixa apenas de ver as cat\u00e1strofes como fic\u00e7\u00e3o e passa a v\u00ea-las como uma amea\u00e7a real. No texto <em>O Infamiliar<\/em>, de 1919, Freud traz uma diferen\u00e7a entre o infamiliar que \u00e9 vivenciado e o infamiliar que \u00e9 s\u00f3 imaginado ou sobre o qual se l\u00ea. Na fic\u00e7\u00e3o, seu conte\u00fado n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 prova da realidade. N\u00e3o amea\u00e7a a nossa pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>O encontro com o Real \u00e9 diferente. Nesse caso, \u00e9 o fen\u00f4meno do COVID-19 que fez com que o cinema cat\u00e1strofe sa\u00edsse da tela, e o que tem\u00edamos e goz\u00e1vamos ao mesmo tempo aparece agora como realidade. O efeito infamiliar pode se dar justamente quando a fronteira entre fantasia e realidade \u00e9 apagada; em suas palavras: \u201c[&#8230;] quando nos vem ao encontro algo real que at\u00e9 ent\u00e3o v\u00edamos como fant\u00e1stico\u201d (FREUD, 1919\/ 2010, p.364). Desta forma, nosso fantasma \u00e9 posto \u00e0 prova com o Real voltando a fazer furo, sem aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>O infamiliar \u00e9 aquilo que escancara a nossa t\u00e3o sabida e t\u00e3o temida castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 um desagrad\u00e1vel encontro com aquilo que tanto se evitou e, por isso mesmo, tanto se teve contato, tanto se mostrou inesquec\u00edvel; como no nosso gozo com o cinema cat\u00e1strofe \u2013 queremos olhar e gozar com o horror, com a hediondez.<\/p>\n<p>Tanto a fic\u00e7\u00e3o do cinema quanto a experi\u00eancia do COVID podem, portanto, produzir a sensa\u00e7\u00e3o do infamiliar. Ambos t\u00eam elementos que podem provocar um instante de ang\u00fastia, no aparecimento de alguma coisa fora da simboliza\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma experi\u00eancia do Um, instant\u00e2nea, contingente e singular; que deve logo escapar porque se agarra a qualquer outra coisa dentro do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>No caso do cinema, parece-nos que sua particularidade pode estar no fato de provocar a experi\u00eancia infamiliar dentro do registro simb\u00f3lico. A <em>Das Ding<\/em> aparece, ent\u00e3o, imaginarizada. Quando as luzes da sala se acendem junto com os cr\u00e9ditos, a descren\u00e7a sobre o visto aparece, e o que fica \u00e9 a viv\u00eancia de um gozo-satisfa\u00e7\u00e3o, como nomeia Lacan (1972-1973\/ 2008) no Semin\u00e1rio 20.<\/p>\n<p>O encontro com v\u00edrus \u00e9 de outra natureza, \u00e9 o encontro com o <em>Das Ding<\/em> no Real. Essa experi\u00eancia infamiliar pode provocar um gozo-excesso (LACAN, 2008), rompendo os limites do bem-estar e fazendo confluir prazer e sofrimento.<\/p>\n<p>Pensando que a vida s\u00f3 pode ser concebida como fic\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 que \u00e9 atravessada pelo simb\u00f3lico \u2013 uma forma de sair dessa sensa\u00e7\u00e3o infamiliar do v\u00edrus talvez seja tentar apreender esse Real que nos escapa em novamente uma fic\u00e7\u00e3o. Uma fic\u00e7\u00e3o que possa cont\u00ea-lo em algum limite de tela. E, a\u00ed, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 no um a um, cada qual sendo autor de sua obra.<\/p>\n<p>Assim, em 2020, ci\u00eancia, psican\u00e1lise e cinema entram em uma nova conjun\u00e7\u00e3o. A ci\u00eancia se debru\u00e7a sobre o novo v\u00edrus, desconhecido e nunca totalmente apreens\u00edvel, e, com isso, se depara com a desconfortante ideia de castra\u00e7\u00e3o e morte que estava esquecida na sociedade do gozo. A ci\u00eancia procura ver e n\u00e3o enxerga tudo. O cinema v\u00ea suas fic\u00e7\u00f5es sa\u00edrem da tela, sem her\u00f3i, deixando suas salas literalmente vazias. No cinema, n\u00e3o h\u00e1 quem o veja. E a Psican\u00e1lise segue escutando sobre esse inquietante que vem do Real e que parece ser o retorno do eterno mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o. No momento, escutar \u00e9 o que se tem para ver de novo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>ANTELO, Marcela. <em>La inquietante extra\u00f1eza en el cine<\/em><strong>.<\/strong> Tese (Doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o). Departamento de comunica\u00e7\u00e3o, Universidad Pompeu Fabra. Barcelona, 2015.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1920). Al\u00e9m do princ\u00edpio de prazer. Em: <em>Hist\u00f3ria de uma neurose infantil: (\u201cO homem dos lobos\u201d): al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer e outros textos<\/em>\u00a0(1917-1920)<strong>.<\/strong> Trad. Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-239. (Obras completas, 14).<\/h6>\n<h6>FREUD, S<em>. <\/em>(1919). <em>O infamiliar<\/em> [<em>Das Unheimliche<\/em>]. Em: <em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>, vol.8<strong>.<\/strong> Trad. Ernani Chaves, Pedro Heliodoro Tavares. 1. Ed. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2019. p. 26-125.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1905). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. Em: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, <\/em>Vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1972-1973). <em>O semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1968-1969). <em>O semin\u00e1rio, livro 16<\/em>: de um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6>SONTAG, S. <em>Contra a interpreta\u00e7\u00e3o.<\/em> Porto Alegre: L&amp;PM, 1987.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> A rela\u00e7\u00e3o entre o cinema e cat\u00e1strofe foi desenvolvida por Marcela Antelo em maio de 2020 em uma Live do Instagram com o psiquiatra Filipe Batista, ex-integrante do <em>N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Cinema<\/em> do IPB sob o t\u00edtulo Cinema e Trauma.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> O termo original do alem\u00e3o <em>Das Unheimmlich <\/em>n\u00e3o tem tradu\u00e7\u00e3o exata para o portugu\u00eas. Optou-se pelo termo \u201cinfamiliar\u201d, que se trata da mais recente tradu\u00e7\u00e3o de Ianini e Tavares da Aut\u00eantica editora em 2019.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovana Reis Mesquita Participante do N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Audiovisual\u00a0 (IPB) Aluna do curso da Teoria da Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (IPB) O desconforto e horror que a experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica pode produzir nos chamados cinema cat\u00e1strofe \u00e9 da mesma natureza que a experi\u00eancia que se pode viver em uma pandemia, tal qual a que nos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-1915","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed-022","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1915"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1916,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1915\/revisions\/1916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1915"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=1915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}