{"id":1993,"date":"2022-02-04T16:05:51","date_gmt":"2022-02-04T19:05:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=1993"},"modified":"2022-02-04T16:05:51","modified_gmt":"2022-02-04T19:05:51","slug":"ser-sexual-quando-o-que-se-espera-e-ser-um-genero-a-psicanalise-o-sujeito-e-a-invencao-de-uma-sexualidade-nos-tempos-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2022\/02\/04\/ser-sexual-quando-o-que-se-espera-e-ser-um-genero-a-psicanalise-o-sujeito-e-a-invencao-de-uma-sexualidade-nos-tempos-de-hoje\/","title":{"rendered":"Ser sexual quando o que se espera \u00e9 ser um g\u00eanero: a psican\u00e1lise, o sujeito e a inven\u00e7\u00e3o de uma sexualidade nos tempos de hoje"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2005\" aria-describedby=\"caption-attachment-2005\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2005\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/007-300x208.jpg\" alt=\"Kazuhiko Nakamura . \u201cAutomaton\u201d\" width=\"300\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/007-300x208.jpg 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/007.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2005\" class=\"wp-caption-text\">Kazuhiko Nakamura . \u201cAutomaton\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Cauan Antonio Silva dos Reis<br \/>\n<em>Mestrando pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (PPGEL\/UNEB); Especialista em Teoria da Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana pelo Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia (EBP-Bahia\/BAHIANA). Graduado em Psicologia pelo Centro Universit\u00e1rio Jorge Amado (UNIJORGE). Atua na cl\u00ednica como psicanalista, \u00e9 docente universit\u00e1rio e escritor. E-mail: cauan_reis@hotmail.com <\/em><\/h6>\n<p>Se em psican\u00e1lise, quando falamos de <em>masculino <\/em>e <em>feminino<\/em> n\u00e3o estamos, necessariamente referindo, respectivamente, <em>homem <\/em>e <em>mulher <\/em>(a menos que esta seja a proposta de aplica\u00e7\u00e3o conceitual), como entender e conversar\/dialogar sobre o g\u00eanero ou sobre a identidade sexual em espa\u00e7os n\u00e3o psicanal\u00edticos? \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, situar o lugar de onde o psicanalista fala sobre o seu saber, sobretudo daquilo de que o discurso psicanal\u00edtico tomou para si h\u00e1 tempos, como elemento fundamental de suas proposi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas: fala-se de um <em>sujeito<\/em>, descrito como <em>sujeito da linguagem <\/em>ou <em>sujeito do inconsciente<\/em>; fala-se de uma articula\u00e7\u00e3o significante deste com um corpo que lhe \u00e9 dado e sobre o qual depositar\u00e1 uma singular significa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Masculino<\/em>, <em>feminino<\/em>, com base nisso, s\u00e3o identifica\u00e7\u00f5es profundamente subjetivas que contornam a percep\u00e7\u00e3o de um corpo, traduzido e significado culturalmente. \u00c9 exatamente este fato, este o ponto, o la\u00e7o e articula\u00e7\u00e3o com o discurso social, que nos faz quebrar a ideia do binarismo (ou se \u00e9 homem ou se \u00e9 mulher) presente nas mais tradicionais culturas, no que diz respeito aos estudos sobre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>Estas reflex\u00f5es introdut\u00f3rias, baseadas na leitura das novas formas de manifesta\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o (e identidade) sexual, nos fazem considerar que estamos em um tempo cuja constru\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica aponte, talvez, para um tempo p\u00f3s-lacaniano<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> de compreens\u00e3o sobre as novas manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas no que diz respeito a <em>saber-se <\/em>homem, mulher, nenhum dos dois ou outro<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> &#8211; com isso, compete considerar que nomear \u00e9 precisamente um ato significante. Dizer que h\u00e1 uma <em>posi\u00e7\u00e3o<\/em> masculina ou feminina n\u00e3o \u00e9 suficiente para descrever as especificidades que condicionam as diferen\u00e7as atribu\u00eddas ao sujeito-homem e ao sujeito-mulher, tal qual significado socialmente, em um tempo que chamo aqui de p\u00f3s-lacaniano. Ent\u00e3o, o que podemos entender daquilo que escutamos hoje? Sabemos que a <em>posi\u00e7\u00e3o<\/em> revela um ponto aonde o sujeito se articula, a partir do seu sintoma, com o seu desejo e s\u00f3 ent\u00e3o empreende uma escolha de objeto, que \u00e9 por ele libidinizado.<\/p>\n<p>Psicanalistas, h\u00e1 tempos, se debru\u00e7am a revisar o que fora dito e apresentado tanto por Freud quanto por Lacan nos seus respectivos tempos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, no que diz respeito ao papel do inconsciente na produ\u00e7\u00e3o de saberes que suponham a diferencia\u00e7\u00e3o sexual \u2013 o tempo hoje \u00e9 outro. Diante disto, novas quest\u00f5es nos s\u00e3o colocadas a partir de leituras propostas sobre o assunto, como na obra <em>O ser e o g\u00eanero: homem\/mulher depois de Lacan <\/em>(2016), da Clotilde Leguil.<\/p>\n<p><em>Ser sexual<\/em> quando o que se espera \u00e9 ser um g\u00eanero \u00e9 a premissa para considerarmos uma quest\u00e3o: estar\u00edamos em um tempo de insist\u00eancia da significa\u00e7\u00e3o do \u201cg\u00eanero\u201d ou de valida\u00e7\u00e3o da singularidade sexual? O <em>ser<\/em> passa a ser aqui um espa\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o e assun\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o frente a Um<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> discurso: o singular, em nome pr\u00f3prio. De certo que isso por si s\u00f3 n\u00e3o aparenta ser novidade, pois, h\u00e1 tempos, sabemos que a psican\u00e1lise intensiva busca corroborar o fato de que uma an\u00e1lise s\u00f3 se produz a partir do Um, que transferencialmente se interp\u00f5e como elemento essencial da profus\u00e3o singular do <em>ser<\/em> de cada sujeito.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise como um campo produtor de discurso, evoca, portanto, uma dimens\u00e3o social da articula\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, real e imagin\u00e1ria, invocando o la\u00e7o social como um modo de traduzir um <em>a dizer <\/em>(a ser dito) sobre aspectos que ultrapassam as barreiras de um corpo uno e atravessam o corpo social<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Assim \u00e9: como traduzir o saber sobre uma identidade sexual, desvendar o enigma da sexualidade singular, de modo a nos fazermos compreendidos por n\u00e3o psicanalistas (mas tamb\u00e9m pelos psicanalistas)?<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma reflex\u00e3o essencialmente pr\u00e1tica, visto que lidamos com pessoas em suas mais diversas formas de se articular com o seu pr\u00f3prio sexo, seja pela via da posi\u00e7\u00e3o ou da escolha. Esta reflex\u00e3o remete a ideia do Um proposto pelo saber lacaniano, que diz respeito \u00e0s subjetividades constru\u00eddas sem o ponto nodal a partir da queda da supremacia f\u00e1lica, sem gravidade, que marca aspectos com ampla flexibilidade e apelo ao imediatismo na forma de estar e ser no mundo. O conceito de Um remete ao tra\u00e7o un\u00e1rio, marca singular impressa no modo de gozo do sujeito, ins\u00edgnia do desejo, assim expresso: \u201ca partir da an\u00e1lise do cogito cartesiano, Lacan situa o fundamento da identifica\u00e7\u00e3o inaugural, a do sujeito distinto do eu, no tra\u00e7o un\u00e1rio, ess\u00eancia do significante, que \u00e9 o nome pr\u00f3prio\u201d (ROUDINESCO E PLON, 1998, p. 365)<\/p>\n<p>Estamos inseridos em um campo, no tempo, dos novos modos de subjetivar e isto n\u00e3o vem desacompanhado da nomea\u00e7\u00e3o. Tempos fluidos, poss\u00edveis, de movimentos de luta e resist\u00eancias. A resist\u00eancia<em>,<\/em> ali\u00e1s, \u00e9 um conceito bastante familiar \u00e0 psican\u00e1lise, que evoca problematiza\u00e7\u00f5es acerca de gozo e de desejo. Em uma an\u00e1lise intensiva, sabemos, o processo de elabora\u00e7\u00e3o de conflitos ps\u00edquicos carecem de uma intensiva a\u00e7\u00e3o do mecanismo da resist\u00eancia que, com base no aporte transferencial, pode encontrar um ou mais caminhos de resolu\u00e7\u00e3o do mal estar nos sujeitos. A transfer\u00eancia \u00e9 um importante mecanismo que, tanto pode funcionar como motor de uma an\u00e1lise quanto como obst\u00e1culo ao seu curso. E o que se inscreve numa resist\u00eancia que incide sobre um efeito do la\u00e7o social, a partir de um espa\u00e7o identificado subjetivamente? Aqui, prop\u00f5e-se reflex\u00e3o de um hasteamento da bandeira do tradicionalismo ortodoxo da cl\u00ednica<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Dialogar, que implica escuta e aten\u00e7\u00e3o flutuante, sobre o g\u00eanero \u00e9 reconhecer o papel sociocultural na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito de linguagem que se constitui a partir de uma articula\u00e7\u00e3o significante. Inserir a produ\u00e7\u00e3o de saber sobre o <em>ser<\/em>, neste contexto, parece ser de igual import\u00e2ncia, pois evoca a ordem do desejo e da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com seus objetos sexuais eleitos como significativos. O <em>ser <\/em>pode ser tomado como um representante do g\u00eanero para alguns, mas n\u00e3o para outros, muito menos para <em>todxs<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup><strong>[7]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>. Aos que se colocam \u00e0 margem, fora da identifica\u00e7\u00e3o ed\u00edpica mitol\u00f3gica, que lugar lhes \u00e9 reservado?<\/p>\n<p>Situamo-nos em um tempo de descobrir novos rumos para o <em>ser<\/em> dentro de uma fogueira inflamada de quest\u00f5es sobre o g\u00eanero. No plano dos sujeitos inventados por si mesmo, sob a alcunha de alguns outros, identificamos o consumo de objetos descart\u00e1veis, e que podem ser mut\u00e1veis e transmut\u00e1veis.<\/p>\n<blockquote><p>O consumo, herdeiro atual da entroniza\u00e7\u00e3o do mercado, passou a ocupar um lugar na nossa subjetividade que pode referir-se \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o na qual os neur\u00f3ticos est\u00e3o apaixonados\/ mortificados por um mestre perverso que sabe como gozar (KEHL, 2008) e que, ademais, democraticamente disponibiliza seu Saber a todos, formando o imperativo: <em>Gozem! Mas gozem comigo<\/em> (SARTI E TFOUNI, 2013).<\/p><\/blockquote>\n<p>Talvez n\u00e3o devamos pensar tanto a psicopatologia das normalidades ou mesmo das a-normalidades sexuais, mas pensar as possibilidades de <em>ser<\/em> dentro do processo de inven\u00e7\u00e3o de uma identidade, que \u00e9 substancialmente sexual (e isso n\u00e3o deve implicar, necessariamente, numa redu\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria de homem <em>ou<\/em> mulher). As fronteiras tornaram-se fluidas e isso possibilitou adentrarmos a vizinhan\u00e7a al\u00e9m-f\u00e1lica pra verificar se o objeto disposto neste entre territ\u00f3rio ainda reserva o seu encanto, ou se \u00e9 desejo de outra coisa. Teria a l\u00f3gica f\u00e1lica ainda falo, digo, f\u00f4lego para explicar a divis\u00e3o ps\u00edquica que conduz o sujeito para uma identifica\u00e7\u00e3o sexual?<\/p>\n<p>Em uma videoconfer\u00eancia concedida \u00e0 Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, se\u00e7\u00e3o Bahia, Marcus Andr\u00e9 Vieira (2020) questiona sobre \u201cquem orienta a diferen\u00e7a [sexual] hoje?\u201d, afirmando n\u00e3o ser mais Deus, nem mesmo a tradi\u00e7\u00e3o. Com isso, elegemos novos representantes, cada um ao seu modo, obviamente, o que sugere apontar para o t\u00e3o discutido discurso democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 um grande e extensivo corpo gozante feito para produzir quest\u00f5es e ainda mais d\u00favidas sobre quem sou e\/ou quem \u00e9 o Outro (aquele implicado na produ\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria), haja vista ainda mantermos a singularidade de sermos sujeitos falantes. Leguil (2016), no seu livro, discute o caso \u00c9douard Louis<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> em seu processo de descoberta\/produ\u00e7\u00e3o sexual: \u201co riso vem dizer que ele n\u00e3o est\u00e1 mais ali onde o outro o nomeia, mas alhures. O riso vem dizer que, ao salvar seu desejo, [\u00c9douard] encontrou como se inscrever no mundo, para al\u00e9m das normas\u201d.<\/p>\n<p>Em psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer tudo, algo sempre falta; como tamb\u00e9m \u00e9 no campo da sexualidade. Por isso vemos aqui quest\u00f5es, mais do que respostas, para que possamos pensar sobre se o psicanalista, que ocupa este lugar no tempo de hoje, est\u00e1 atualizado de sua pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o sexual. Os movimentos culturais v\u00e3o tomando forma porque os sujeitos v\u00e3o renovando os seus modos de gozar, de desejar e de significar. Continuamos olhando, mas o que se v\u00ea parece ser cada vez mais singular, mais ainda aos olhos de quem deseja, muito mais do que de quem enxerga. Como \u00e9 na poesia: o amor n\u00e3o tem sexo; aquele cujo desejo \u00e9 causar o desejo do outro deve estar situado em que ponto da significa\u00e7\u00e3o sexual? \u00c9 preciso reconhecer o potencial criativo do <em>ser<\/em> para conseguir ascender a uma inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h6>\n<h6>AMBRA, Pedro. <em>G\u00eanero e identifica\u00e7\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Stylus,\u00a0\u00a0n\u00ba. 35, 2017.<\/h6>\n<h6>CERVELATTI, Carmem Silvia. <em>O falo, entre amor e desejo<\/em>. Acervo On-line da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2016 &gt;\u00a0 https:\/\/www.ebp.org.br\/o-falo-entre-amor-e-desejo\/. Acessado em 09 de mar\u00e7o de 2020 \u00e0s 22:57.<\/h6>\n<h6>DRUMMOND, Cristina. <em>Que nomea\u00e7\u00e3o adv\u00e9m da queda do falocentrismo?<\/em> Boletim Polifonias, n. 04, XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, 2018 &gt; http:\/\/encontrobrasileiro2018.com.br\/16908-2\/ &gt; Acessado em 09 de mar\u00e7o de 2020 \u00e0s 21:07.<\/h6>\n<h6>EIDELSZTEIN, Alfredo. <em>Diferentes posiciones psicoanal\u00edticas frente al sexo, la sexualidad y el<\/em> <strong>g\u00e9nero.<\/strong> Buenos Aires, 2019 &gt; https:\/\/www.eidelszteinalfredo.com.ar\/diferentes-posiciones-psicoanaliticas-frente-al-sexo-la-sexualidad-y-el-genero-3\/. Acessado em 08 de julho de 2020, \u00e0s 23:52h.<\/h6>\n<h6>FREUD, Sigmund. <em>Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905)<\/em>. In: FREUD, S. Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 117-218.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. <em>A media\u00e7\u00e3o f\u00e1lica do desejo (1959)<\/em>. In: LACAN, J. Semin\u00e1rio Livro 6 \u2013 O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Traduzido por Claudia Berliner. Rio de Janeiro: Zahar, 2016, p. 128-147.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. <em>Li\u00e7\u00e3o I (1961)<\/em>. In: LACAN, J. Semin\u00e1rio Livro 9 &#8211; A Identifica\u00e7\u00e3o. Traduzido por Ivan Corr\u00eaa\u00a0 e Marcos Bagno. Recife: Centro de Estudos Freudianos do Recife, 2003, p. 11-24.<\/h6>\n<h6>LEGUIL, Clotilde. <em>O ser e o g\u00eanero: homem\/mulher depois de Lacan.<\/em> Belo Horizonte: EBP Editora, 2016.<\/h6>\n<h6>MELMAN, C. <em>O homem sem gravidade \u2013 gozar a qualquer pre\u00e7o<\/em>. Rio de Janeiro, Ed. Companhia de Freud, 2003.<\/h6>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain. <em>Sexta li\u00e7\u00e3o (2008).<\/em> In: MILLER, J-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. Traduzido por Vera Avellar Ribeiro; vers\u00e3o final e subt\u00edtulos Marcus Andr\u00e9 Vieira. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.<\/h6>\n<h6>ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. <em>Dicion\u00e1rio de psican\u00e1lise<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Vera Ribeiro, Lucy Magalh\u00e3es; supervis\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o brasileira Marco Antonio Coutinho Jorge. \u2014 Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6>SARTI, Milena Maria; TFOUNI, Leda Verdiani. <em>Por uma l\u00edngua-objeto: o avesso do gozo na cultura de consumo<\/em>. Rio de Janeiro: \u00c1gora. v. XVI n. 2, pg. 267-282, 2013.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u2003 Clotilde Leguil (2016) sugere que devemos transpassar, n\u00e3o necessariamente Lacan, mas o tempo de Lacan, para alcan\u00e7armos efetivamente esse tempo em que vivemos, de um extensivo alcance de novas formas de se nomear <em>sexual: <\/em>seja<em> gay, l\u00e9sbica, bissexual, transexual, assexual, <\/em>relativos \u00e0 posi\u00e7\u00e3o sexual, e que compete somente ao pr\u00f3prio sujeito nos situar.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u2003 Como acontece com aqueles que se sustentam n\u00e3o-bin\u00e1rios, g\u00eanero fluido, travestis, <em>queers<\/em>, <em>dragqueens<\/em>, e que revela uma identidade, n\u00e3o condicionando, necessariamente, uma posi\u00e7\u00e3o sexual.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u2003 Freud (1996 [1905]) ressalva os limites de nomea\u00e7\u00e3o acerca da identidade sexual, quando afirma que \u201cse soub\u00e9ssemos dar aos conceitos de \u2018masculino\u2019 e \u2018 feminino\u2019 um conte\u00fado mais preciso\u201d (p. 207) n\u00e3o precisar\u00edamos ter que supor a abstra\u00e7\u00e3o do objeto sexual como sendo de car\u00e1ter do homem ou da mulher, respectivamente. Lacan (2003 [1961]), por sua vez, vai propor que identifica\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o saber, e diz que \u201co saber \u00e9 intersubjetivo\u201d (p. 24), isto \u00e9, se constr\u00f3i a partir da rela\u00e7\u00e3o com o Outro, que n\u00e3o existe sen\u00e3o sendo suposto.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u2003 Precisamente aquilo que se inscreve como subst\u00e2ncia pulsional, cifra do nome pr\u00f3prio que implica o singular, que Miller (2011 [2008]) descreve como aquilo que \u201cn\u00e3o parece com nada: ele ex-siste \u00e0 semelhan\u00e7a, ou seja, ele est\u00e1 fora do que \u00e9 comum\u201d (p.88).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u2003 Refer\u00eancia ao processo identificat\u00f3rio, produzido pelo empuxo a uma escolha que \u00e9, portanto, singular e que visa o encontro sexual. Cervelatti (2016) afirma que \u201ca permissividade dos nossos tempos conduz \u00e0 banaliza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual; isso pode ser entendido como um sinal da falta de uma via para a entrada no encontro sexual, do falo-semblante para construir la\u00e7o social\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u2003 \u201cA cl\u00ednica contempor\u00e2nea dos LGBTI nos traz a busca das nomea\u00e7\u00f5es a partir de uma identifica\u00e7\u00e3o com um tipo de gozo, a partir da categoria de g\u00eanero, que est\u00e3o fora do Nome-do-Pai e que muitas vezes buscam eliminar a diferen\u00e7a e o real da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (DRUMMOND, 2018); refer\u00eancia \u00e0 queda do falocentrismo no processo de inven\u00e7\u00e3o de uma sexualidade que \u00e9, portanto, singular.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u2003 Grafia que indica a leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de um g\u00eanero\/identidade a ser constru\u00eddo\/a singularmente.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u2003 Obra analisada por Clotilde Leguil em face das quest\u00f5es relativas ao ser e ao g\u00eanero. Indicar a passagem dele pelo feminino para saber-se homem, um homem identificado uma posi\u00e7\u00e3o homossexual.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cauan Antonio Silva dos Reis Mestrando pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (PPGEL\/UNEB); Especialista em Teoria da Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana pelo Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia (EBP-Bahia\/BAHIANA). Graduado em Psicologia pelo Centro Universit\u00e1rio Jorge Amado (UNIJORGE). Atua na cl\u00ednica como psicanalista, \u00e9 docente universit\u00e1rio e escritor.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-1993","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed-023","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1993"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2018,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1993\/revisions\/2018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1993"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=1993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}