{"id":2039,"date":"2022-02-04T16:05:52","date_gmt":"2022-02-04T19:05:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=2039"},"modified":"2022-02-04T16:05:52","modified_gmt":"2022-02-04T19:05:52","slug":"causados-por-uma-torcao-frente-a-formacao-de-um-laboratorio-cien","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2022\/02\/04\/causados-por-uma-torcao-frente-a-formacao-de-um-laboratorio-cien\/","title":{"rendered":"Causados por uma tor\u00e7\u00e3o, frente a forma\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio CIEN"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2002\" aria-describedby=\"caption-attachment-2002\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2002\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/004-300x240.jpeg\" alt=\"Kazuhiko Nakamura . \u201cSpiral Memory\u201d\" width=\"300\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/004-300x240.jpeg 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/004.jpeg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2002\" class=\"wp-caption-text\">Kazuhiko Nakamura . \u201cSpiral Memory\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Cintia Stauffer de Freitas Barreto<br \/>\n<em>Participante do laborat\u00f3rio CIEN em forma\u00e7\u00e3o (Psic\u00f3loga)<\/em><\/h6>\n<p>O laborat\u00f3rio <em>CIEN<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a><\/em> em forma\u00e7\u00e3o: O que vem com o adolescer: muito mais do que se diz, teve seu in\u00edcio em setembro de 2018, com o convite da Diretora de uma Escola Municipal em Teixeira de Freitas-BA, que se deparou com a automutila\u00e7\u00e3o dos adolescentes dos 7\u00ba anos, solicitando assim, uma palestra sobre o tema, queriam aproveitar o projeto que j\u00e1 desenvolviam sobre o setembro amarelo, nomeado: <em>Todos pela vida, como preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio na escola<\/em>. Ao fazer essa primeira escuta, aproveitamos o convite e fizemos outro convite, oferecendo uma conversa\u00e7\u00e3o, escuta aos adolescentes com intuito de formar o laborat\u00f3rio <em>CIEN.<\/em> Desta forma, fomos causados por uma tor\u00e7\u00e3o, necess\u00e1ria para que fosse poss\u00edvel colocar em jogo a circula\u00e7\u00e3o da palavra, numa vinheta pr\u00e1tica:<\/p>\n<blockquote><p>As conversa\u00e7\u00f5es feitas com as crian\u00e7as e adolescentes demonstram como aquelas lhes servem para nomear uma parte do nome de seus sintomas e tamb\u00e9m para se escutarem entre si e saber o que falar quer dizer. Se a psican\u00e1lise restitui a particularidade de cada um, \u00e9 precisamente por n\u00e3o cair num determinismo utilitarista ou consolador e por apostar nas fontes inventivas e po\u00e9ticas da conting\u00eancia, do equ\u00edvoco, do encontro (LACAD\u00c9E, 2007, p. 08).<\/p><\/blockquote>\n<p>Na conversa\u00e7\u00e3o trata-se de uma associa\u00e7\u00e3o livre coletiva, e a associa\u00e7\u00e3o livre pode ser coletivizada na medida em que n\u00e3o somos donos dos significantes. Como j\u00e1 hav\u00edamos participado algumas vezes dos encontros <em>CIEN <\/em>e <em>NR CEREDA<\/em>, em outros eventos dos institutos e<em> EBPs<\/em> ligados ao campo Freudiano, j\u00e1 est\u00e1vamos fisgados por esse dispositivo e suas in\u00fameras possibilidades de oferta ao trabalho com a psican\u00e1lise Lacaniana. Vale ressaltar que, no interior da Bahia, s\u00e3o in\u00fameras as buscas, no \u00e2mbito escolar. Desse modo, h\u00e1 uma explos\u00e3o de demandas, nas quais percebemos a dificuldade do corpo docente, coordenadores e diretores escolares, em oferecer uma orienta\u00e7\u00e3o frente a essas necessidades, pois dizem n\u00e3o estarem seguros e aptos para essa discuss\u00e3o. Pedem socorro!<\/p>\n<p>Diante de uma escuta e conversa\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o se tem perguntas, dicas, respostas, conceitos prontos e etiquetas, \u201cobservamos que, o que acontece produz efeitos, na medida em que tomar a palavra entre v\u00e1rios para falar do que incomoda favorece o aparecimento do imprevis\u00edvel, do que escapa \u00e0s explica\u00e7\u00f5es dadas anteriormente\u201d (BROWN, MAC\u00c8DO e LYRA, 2017, p 109).<\/p>\n<p>Percebemos a partir da\u00ed, que uma tor\u00e7\u00e3o foi pontual para oferecer uma nova modalidade de trabalho, que condiz com a pr\u00e1xis do <em>CIEN<\/em> e a psican\u00e1lise Lacaniana, como uma b\u00fassola, uma espinha dorsal que d\u00e1 dire\u00e7\u00e3o para o que acontece no real de uma conting\u00eancia. E ainda que, nas cidades do interior \u00e9 quase uma pr\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o trabalharem com palestras e outros eventos expositivos, nos quais os alunos n\u00e3o participam ativamente, mas como ouvintes apenas, o que muitas vezes n\u00e3o causa nenhum impasse e consequentemente nenhum efeito, sendo assim, n\u00e3o ressoa na subjetividade da crian\u00e7a e do adolescente.<\/p>\n<p>Entretanto, ao percebermos que nossa atua\u00e7\u00e3o faria um \u201cfuro\u201d nessa demanda, nos colocamos a trabalho, impulsionados por um desejo, que j\u00e1 se suscitava pelos participantes do poss\u00edvel laborat\u00f3rio. A educa\u00e7\u00e3o se mostra orientada por um saber pronto e preza a um discurso, do mestre.<\/p>\n<p>Como efeito dessa tor\u00e7\u00e3o, foi avaliada nas conversa\u00e7\u00f5es realizadas que \u00e9 poss\u00edvel uma vinheta pr\u00e1tica:<\/p>\n<blockquote><p>Essa que desfaz as identifica\u00e7\u00f5es, como disse Lacan, e permite um jogo de vida, como disse Freud. Ela adv\u00e9m de uma nova rela\u00e7\u00e3o com o outro. Cabe ao CIEN fazer conhecer essa l\u00f3gica e fazer com que se associem a ela os profissionais que se ocupam das crian\u00e7as e dos jovens, especialmente mediante relat\u00f3rios das diversas atividades de seus laborat\u00f3rios nas diferentes publica\u00e7\u00f5es ou jornadas de trabalho do CIEN (LACAD\u00c9E, 2007, p. 09).<\/p><\/blockquote>\n<p>Diante de tantas quest\u00f5es as quais os adolescentes se deparam em suas hist\u00f3rias, contextos e la\u00e7os sociais: dor, sofrimento, ang\u00fastia, separa\u00e7\u00e3o dos pais, abandono, agress\u00e3o, desamparo e dor psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u00c9 a crian\u00e7a, na psican\u00e1lise, quem \u00e9 suposta saber, e \u00e9 mais ao Outro que se trata de educar; \u00e9 o Outro que conv\u00e9m aprender a se conter. Quando este Outro \u00e9 incoerente e cruel; quando ele \u00e9 cruel, quando deixa assim o sujeito, assim, sem b\u00fassula e sem identifica\u00e7\u00e3o, trata-se de elucubrar com a crian\u00e7a um saber ao alcance dela, \u00e0 medida dela, que possa lhe servir, quando o Outro asfixia o sujeito, trata-se com a crian\u00e7a, de faz\u00ea-la recuar para voltar a respirar (BARROS-BRISSET, 2012, p. 09).<\/p>\n<p>Mas se percebe um saber previamente constru\u00eddo, alimentados pelo senso comum e pelas diversas formas de pr\u00e9-conceito, fracassa diante do mal-estar assim identificado e exige a constru\u00e7\u00e3o de um novo saber que, em geral, surpreende a todos, pois colocam em jogo novos elementos extra\u00eddos da conting\u00eancia do encontro nessas conversa\u00e7\u00f5es. O quanto de saber havia ali naqueles jovens que por ora faziam um apelo, com a escuta foi poss\u00edvel perceber o quanto o adolescer era bordeado de quest\u00f5es familiares, sociais, econ\u00f4micas e afetivas principalmente. Um apelo a serem ouvidos e que a narrativa tivesse um lugar, um endere\u00e7amento. Assim a conversa\u00e7\u00e3o rolou, com o inesperado do encontro, com tantas hist\u00f3rias e ang\u00fastias presentes, mas com um lugar de fala onde circulou a palavra e o saber do n\u00e3o saber. Foi incr\u00edvel v\u00ea-los t\u00e3o sedentos, curiosos e ao mesmo tempo desconfiados do que seria a posteriori. Queriam saber se voltar\u00edamos, porque est\u00e1vamos ali, se \u00e9ramos pagos etc&#8230;Uma enxurrada de perguntas, que ao longo dos encontros foram se acomodando e surgindo outras. As conversa\u00e7\u00f5es foram se tornando mais frequentes e os efeitos foram sendo percebidos.<\/p>\n<p>A aposta de uma tor\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel por j\u00e1 termos trabalhado com as demandas de crian\u00e7a, adolesc\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o, e por j\u00e1 termos participado das jornadas e conversa\u00e7\u00f5es do <em>CIEN,<\/em> Brasil a fora, al\u00e9m do desejo suscitado, os textos a respeito, foram de grande contribui\u00e7\u00e3o, orientando a nossa pr\u00e1xis.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 3 (tr\u00eas) anos de trabalho, sendo que o ano passado, 2020, nosso laborat\u00f3rio foi aceito e reconhecido na comunidade anal\u00edtica do Campo Freudiano, foi poss\u00edvel recolher e escrever sobre esta experi\u00eancia t\u00e3o rica e valiosa. Na atual coordena\u00e7\u00e3o, em 2020, estava M\u00f4nica Hage, que nos deu muito apoio e suporte nas conversa\u00e7\u00f5es, sendo pontual esta parceria para o nosso desenvolvimento enquanto laborat\u00f3rio em forma\u00e7\u00e3o. Atualmente com a nova coordena\u00e7\u00e3o, na pessoa de Daniela Ara\u00fajo, que tamb\u00e9m tem desempenhado um excelente trabalho, e diante de todas as conversa\u00e7\u00f5es que at\u00e9 aqui participamos, foi fruto de toda essa trajet\u00f3ria. In\u00fameras resson\u00e2ncias e trocas de todos os <em>CIEN <\/em>Brasil os quais nos cruzamos. A modalidade on-line foi um grande facilitador desse encontro, aproximando os laborat\u00f3rios e o vivo de cada um. Apesar das separa\u00e7\u00f5es de corpos, foi mantido vivo o desejo de continuar a circular a palavra, mesmo diante do novo, do desconhecido e inusitado ano pand\u00eamico, evidenciando que a conting\u00eancia \u201cfaz a hora e n\u00e3o espera acontecer\u201d, como diz a m\u00fasica de Geraldo Vandr\u00e9.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o Laborat\u00f3rio em forma\u00e7\u00e3o: O que vem com o adolescer, muito mais do que se diz, se lan\u00e7a ao trabalho com entusiasmo e disposto a novas demandas que vir\u00e3o. E mesmo com tantas fraturas, as quais foram identificadas na escola-fam\u00edlia-professor-aluno, a invisibilidade da escola p\u00fablica e as diferen\u00e7as sociais, como bem pontuou Fernanda Otoni, sobre desordem pand\u00eamica sanit\u00e1ria e pol\u00edtica em uma recente atividade preparat\u00f3ria para o XXIII EBCF, ainda assim existe espa\u00e7o para novas constru\u00e7\u00f5es diante de um saber que n\u00e3o se sabe, e seguimos \u201ctorcendo\u201d pelo Extremo Sul da Bahia.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/strong><\/h6>\n<h6>BARROS-BRISSET, F. O.H\u00edfen A Crian\u00e7a e o Saber. CIENdigital, v.11 p. 1-37, Jan.2012.Dispon\u00edvel em: www.Ciendigital.com.br\u00a0 Acesso em: 27 Out.2021.<\/h6>\n<h6>BROWN N., MAC\u00caDO L., LYRA R.: Trauma, solid\u00e3o e la\u00e7o na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia: experi\u00eancias do CIEN no Brasil. Belo Horizonte: EBP, 2018. 414 p.<\/h6>\n<h6>LACAD\u00c9E P. H\u00edfen \u2013 Vinheta pr\u00e1tica: o que \u00e9? CIENdigital, v.2 p. 1-26, Dez.2007.Dispon\u00edvel em: <u>www.Ciendigital.com.br<\/u> . Acesso em: 27 Out.2021.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u2003 <strong>DEMAIS PARTICIPANTES DO LABORAT\u00d3RIO CIEN EM FORMA\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/h6>\n<h6>Ana Paula Gonsalves Carvalho (Psic\u00f3loga), Camila Gigante (Psic\u00f3loga), Clenir Abgail (Psic\u00f3loga\/pedagoga), Edgar Costa de Sousa (Psic\u00f3logo), Etelvina Moreira Viana de Sena (Psic\u00f3loga), Fl\u00e1via do Carmo Cuimbra (RH), Gleide de Sousa (Psic\u00f3loga), Wanderson Rodrigo da Silva Mendon\u00e7a (Psic\u00f3logo)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cintia Stauffer de Freitas Barreto Participante do laborat\u00f3rio CIEN em forma\u00e7\u00e3o (Psic\u00f3loga) O laborat\u00f3rio CIEN[1] em forma\u00e7\u00e3o: O que vem com o adolescer: muito mais do que se diz, teve seu in\u00edcio em setembro de 2018, com o convite da Diretora de uma Escola Municipal em Teixeira de Freitas-BA, que se deparou com a automutila\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-2039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed-023","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2039"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2040,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039\/revisions\/2040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2039"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=2039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}