{"id":2100,"date":"2022-12-16T16:32:10","date_gmt":"2022-12-16T19:32:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=2100"},"modified":"2022-12-16T16:32:10","modified_gmt":"2022-12-16T19:32:10","slug":"o-que-significa-adotar-um-corpo-pensando-isso-a-partir-do-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2022\/12\/16\/o-que-significa-adotar-um-corpo-pensando-isso-a-partir-do-autismo\/","title":{"rendered":"O que significa adotar um corpo pensando isso a partir do autismo."},"content":{"rendered":"<h6><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2101\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/004-001-Graziela-Pires-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/004-001-Graziela-Pires-300x300.png 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/004-001-Graziela-Pires.png 1024w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/004-001-Graziela-Pires-150x150.png 150w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/004-001-Graziela-Pires-768x768.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Graziela Pires associada ao Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia<\/strong><\/h6>\n<p>Ecos da apresenta\u00e7\u00e3o do dia 03 de agosto de 2022 feita pela Cristina Maia<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, coordenadora do N\u00facleo, uni-duni-t\u00ea em Campina Grande. Foram apresentadas suas costuras entre os textos \u201cBordas do corpo\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> de Ana Simonetti e o \u201cO sujeito autista, seus objetos e seu corpo\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> de Laurent.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o foi feito um percurso para construir o conceito de borda e sua rela\u00e7\u00e3o com o objeto, as ilhas de compet\u00eancia e o que a partir da\u00ed a psican\u00e1lise aposta como via de acesso e la\u00e7o para uma estrutura autista, j\u00e1 que a import\u00e2ncia de uma borda na constitui\u00e7\u00e3o de um corpo, \u00e9 fundamental para a rela\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<p>Como, a partir de uma estrutura autista, seria poss\u00edvel constituir uma borda? Cristina em seu percurso nos aponta essa resposta.<\/p>\n<p>Vimos na apresenta\u00e7\u00e3o que o autista n\u00e3o tem o envolt\u00f3rio corporal, por isso ele se utiliza de uma carapa\u00e7a. Como a borda n\u00e3o se efetiva, essa carapa\u00e7a, seria um anel barreira, (Laurent) ficando a\u00ed, cerrado e funciona como uma prote\u00e7\u00e3o ao sujeito, que lhe permite defender-se das manifesta\u00e7\u00f5es do outro.<\/p>\n<p>Foi feita a quest\u00e3o: como para esse sujeito sem borda, instituir um limite que fa\u00e7a fun\u00e7\u00e3o de borda? Laurent vai dizer que os objetos (que podem se acoplar ao corpo) podem servir para a constru\u00e7\u00e3o de uma borda.<\/p>\n<p>O analista entraria a\u00ed no corpo a corpo, dando sustenta\u00e7\u00e3o ao que Cristina chamou de jogos de inclus\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o, considerando que, \u00e9 na medida que o objeto se afasta do corpo que se pode introduzir a troca no la\u00e7o social. Nos lembrou ainda que a borda em Lacan<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, esta como a superf\u00edcie que a puls\u00e3o atravessa. O sujeito joga o la\u00e7o na tentativa de satisfazer da puls\u00e3o, alcan\u00e7ando o objeto, mas ele lan\u00e7a para n\u00e3o i\u00e7ar nada, porque n\u00e3o vai encontrar o objeto. O que se apresenta a\u00ed \u00e9 um vazio ocup\u00e1vel, por qualquer objeto. \u00c9 esse objeto que Lacan chama de <em>objeto a.<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, equivalente a carapa\u00e7a de defesa do autista, a borda constituiria exatamente essa \u201cneobarreira\u201d que lhe d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de se defender das manifesta\u00e7\u00f5es do Outro. Laurent percebeu que, diferente da psicose, o retorno do gozo no autismo se d\u00e1 nessa borda, nessa zona fronteiri\u00e7a, poss\u00edvel de ser transposta. Assim o pr\u00f3prio corpo do autista \u00e9 uma \u201cneoborda\u201d.<\/p>\n<p>Pudemos constatar a import\u00e2ncia do objeto exatamente para a explora\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica psicanal\u00edtica no que tange ao autismo. Vimos que, a aparelhagem do corpo do sujeito com a m\u00e1quina vivifica.<\/p>\n<p>Sabemos que os autistas se apresentam mais \u00edntimos dos objetos do que das pessoas e sabemos que a inclus\u00e3o, de alguns objetos, pode ter a fun\u00e7\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o no la\u00e7o social. Esses objetos n\u00e3o s\u00e3o eleitos a toa e s\u00e3o de um aux\u00edlio fundamental na sua defesa e na cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7o social.<\/p>\n<p>Cristina nos trouxe que os objetos podem ser simples ou complexos. Os objetos simples estariam a servi\u00e7o de uma sensa\u00e7\u00e3o autoproduzida, engendrada pelo pr\u00f3prio corpo do autista, causando satisfa\u00e7\u00e3o. Seja qual for sua forma, \u00e9 ineg\u00e1vel que essa prefer\u00eancia possibilita um tratamento \u00e0 imagem do corpo, fazendo barreira ao mundo externo, o que defende o autista da ang\u00fastia. Ao mesmo tempo, vivifica este corpo mortificado concedendo ao autista um certo dinamismo, pois se oferece como borda para um retorno do gozo.<\/p>\n<p>Segundo Maleval<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, caso participe de uma ilha de compet\u00eancia, esse objeto simples se tornar\u00e1 o objeto complexo cujas ramifica\u00e7\u00f5es podem muitas vezes se estender ao campo social chegando at\u00e9 a desembocar numa profiss\u00e3o que d\u00ea autonomia ao autista. H\u00e1 de alguma forma um saber do autista sobre os benef\u00edcios que o objeto pode proporcionar.<\/p>\n<p>Cristina nos trouxe tamb\u00e9m a imagem do duplo e o objeto aut\u00edstico, que consistem em ingredientes que comp\u00f5em a borda e concorrem para a estabiliza\u00e7\u00e3o e calmaria do autista.<\/p>\n<p>Vimos com Cristina que o autismo n\u00e3o \u00e9 uma patologia, mas, segundo os Lefort<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> uma quarta estrutura, ou segundo outros autores uma maneira pr\u00f3pria de estar no mundo.<\/p>\n<p>Ao escutar a transmiss\u00e3o, fica para mim, a seguinte quest\u00e3o: a psican\u00e1lise segue um caminho contr\u00e1rio \u00e0s psicologias, pedagogias e \u00e1reas de saber que tentam ensinar ou consertar algo no autista. Ser d\u00f3cil ao duplo, aos objetos \u00e9 se permitir ensinar por eles, os autistas, qual o caminho poss\u00edvel a seguir.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Maria Cristina Maia Fernandes, psicanalista, membro da AMP\/EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o NE. Mestra em Psicologia Cl\u00ednica pela UNICAP, Doutoranda na mesma Institui\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ana_simonetti_bordas_do_corpo.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/eric_Laurent_os_sujeitos_autistas_seus_objetos_e_seu_corpo.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, JACQUES, 1901-1981: Semin\u00e1rio Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Pg. 174-178.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> MALEVAL, Jean-Claude: O autista e a sua voz, 2017 \u2013 pg. 201.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> LEFORT, Rosine e Robert: A distin\u00e7\u00e3o do autismo, 2017 \u2013 pg.11.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Graziela Pires associada ao Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia Ecos da apresenta\u00e7\u00e3o do dia 03 de agosto de 2022 feita pela Cristina Maia[1], coordenadora do N\u00facleo, uni-duni-t\u00ea em Campina Grande. 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