{"id":2103,"date":"2022-12-16T16:33:48","date_gmt":"2022-12-16T19:33:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=2103"},"modified":"2022-12-16T16:33:48","modified_gmt":"2022-12-16T19:33:48","slug":"a-pratica-feita-por-muitos-a-experiencia-em-um-hospital-dia-de-adolescentes-em-aubervilliers-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2022\/12\/16\/a-pratica-feita-por-muitos-a-experiencia-em-um-hospital-dia-de-adolescentes-em-aubervilliers-franca\/","title":{"rendered":"A pr\u00e1tica feita por muitos: a experi\u00eancia em um Hospital-dia de adolescentes em Aubervilliers \/ Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h6><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2104\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/003-002-Carla-Almeida-Capanema-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/003-002-Carla-Almeida-Capanema-300x300.png 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/003-002-Carla-Almeida-Capanema.png 1024w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/003-002-Carla-Almeida-Capanema-150x150.png 150w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/003-002-Carla-Almeida-Capanema-768x768.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><strong>Carla Almeida Capanema<br \/>\n<\/strong>Psicanalista e P\u00f3s-Doutora em Estudos Psicanal\u00edticos (UFMG)<\/h6>\n<p>Este texto abordar\u00e1 a experi\u00eancia vivenciada no campo de um est\u00e1gio P\u00f3s-Doutoral realizado no <em>H\u00f4pital de Jour Clos B\u00e9nard \u2013 Unit\u00e9 adolescents<\/em> na cidade de Aubervilliers\/Fran\u00e7a no ano de 2020, em um servi\u00e7o de refer\u00eancia no atendimento a adolescentes psic\u00f3ticos e autistas e que faz parte da Rede Internacional do Campo Freudiano R13, composta de Institui\u00e7\u00f5es que abordam o trabalho sobre o princ\u00edpio: <em>\u201ca cada crian\u00e7a, uma institui\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo Yves-Claude Stavy (2001), a Unidade para Adolescentes do Hospital de Aubervilliers, criada nos anos 90, tinha em seu in\u00edcio influ\u00eancias da psicoterapia institucional. As equipes apostavam na diversidade de <em>ateliers,<\/em> propondo uma alternativa \u00e0 cl\u00ednica psiqui\u00e1trica tradicional. Mas diante do real da cl\u00ednica a ang\u00fastia ganhava espa\u00e7o nesta unidade, at\u00e9 que alguns profissionais decidiram fazer a escolha de se orientarem em sua pr\u00e1tica cotidiana pela psican\u00e1lise de Freud a Lacan. Como uma onda, alguma coisa do desejo singular se propagou, deixando entrever que cernir o insuport\u00e1vel de cada caso tinha um efeito vivificante, n\u00e3o somente para o sujeito, mas tamb\u00e9m para a equipe. E que essa experi\u00eancia implicava num risco e em um engajamento lado a lado daqueles que, muitas vezes, s\u00e3o deixados \u00e0 dist\u00e2ncia. Desde ent\u00e3o, a unidade para adolescentes se tornou uma refer\u00eancia nacional e internacional no trabalho com sujeitos autistas e psic\u00f3ticos ancorado por um projeto cl\u00ednico.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cPermanecer d\u00f3cil \u00e0s exig\u00eancias do caso\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Yves-Claude Stavy (2003) J-A Miller encontrou um termo que, rapidamente, alcan\u00e7ou um grande sucesso: <em>\u201ca pr\u00e1tica feita por muitos<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, a fim de fazer valer a pr\u00e1tica orientada pela psican\u00e1lise nas institui\u00e7\u00f5es membros do R13. Essa <em>\u201cpr\u00e1tica feita por muitos\u201d<\/em> n\u00e3o deve ser confundida com um <em>\u201cautismo feito por muitos\u201d<\/em>, mesmo que o projeto cl\u00ednico de uma institui\u00e7\u00e3o consista, sobretudo, em tentar esquecer a institui\u00e7\u00e3o em considera\u00e7\u00e3o ao caso. Aqueles que interv\u00eam em uma institui\u00e7\u00e3o devem estar prontos a acolher as inven\u00e7\u00f5es de cada sujeito, <em>\u201cmas n\u00e3o se trata de apoiar; n\u00e3o importa o que, n\u00e3o importa como\u201d<\/em> (p. 1)<em>.<\/em> H\u00e1 uma regra necess\u00e1ria: n\u00e3o se diz sim a tudo, mas somente ao que pode vir a <em>capitonear <\/em>um momento da hist\u00f3ria do adolescente. Assim, o lugar essencial do dispositivo institucional passa a ser a reuni\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Apostar no sujeito n\u00e3o consiste, de modo algum, a opor sintoma e estrutura, mas a subordinar as quest\u00f5es de estrutura \u00e0s quest\u00f5es do sintoma. Para se permanecer d\u00f3cil \u00e0s exig\u00eancias do caso, \u00e0s exig\u00eancias subjetivas dos adolescentes atendidos em Aubervilliers, \u00e9 necess\u00e1rio como nos ensina Di Ciacca: <em>\u201ccomutar seu funcionamento n\u00e3o a partir das exig\u00eancias dos especialistas, mas a partir das exig\u00eancias do sujeito na sua rela\u00e7\u00e3o ao campo da palavra e da linguagem\u201d (<\/em>Stavy, 2003 apud Di Ciacca, 1999, p. 5).<\/p>\n<p><strong>O projeto cl\u00ednico<\/strong><\/p>\n<p>Existem tr\u00eas eixos principais no projeto cl\u00ednico do Hospital-dia para adolescentes de Aubervilliers: a Secretaria de Acolhimento, a Vida na Institui\u00e7\u00e3o e os <em>Ateliers.<\/em> Todo o trabalho tem como ponto de sustenta\u00e7\u00e3o a aposta no c\u00e1lculo das interven\u00e7\u00f5es, no caso a caso, durante as reuni\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>a) A Secretaria de Acolhimento<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de um acolhimento decidido pode favorecer um encontro original de cada adolescente com o servi\u00e7o desde sua chegada. O comit\u00ea de acolhimento \u00e9 constitu\u00eddo de um adolescente (que tenha uma quest\u00e3o com a \u00e9tica da institui\u00e7\u00e3o) e um educador. Essa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 permutativa de 6 em 6 meses. Seu papel \u00e9 apresentar a institui\u00e7\u00e3o ao adolescente que acaba de chegar, seus lugares, as atividades que s\u00e3o organizadas, os respons\u00e1veis pelas atividades.<\/p>\n<p>Esse acolhimento tem como objetivo propiciar que cada adolescente possa encontrar ou inventar uma atividade dentro do servi\u00e7o. As atividades n\u00e3o t\u00eam o prop\u00f3sito de que o adolescente possa \u201cfalar de si\u201d ou de \u201cenganar o t\u00e9dio\u201d, mas de fazer com que cada adolescente fa\u00e7a de seu sintoma uma chave para entrar no coletivo.<\/p>\n<p>Mas a decis\u00e3o em participar dos <em>ateliers <\/em>deve ser ela mesma uma conting\u00eancia, n\u00e3o devendo ser banalizada. A participa\u00e7\u00e3o do adolescente na vida institucional n\u00e3o \u00e9 um imperativo e tal decis\u00e3o deve ser endere\u00e7ada pelo adolescente ao respons\u00e1vel pelo <em>atelier,<\/em> apresentando o seu argumento. O respons\u00e1vel pelo <em>atelier<\/em> &#8211; uma esp\u00e9cie de passador &#8211; assume um papel de acusar recep\u00e7\u00e3o da demanda e transmitir para a equipe t\u00e9cnica, que discutir\u00e1 nas reuni\u00f5es cl\u00ednicas a inclus\u00e3o ou n\u00e3o do adolescente em determinada atividade, levando-se em conta a seguinte quest\u00e3o: o pedido do adolescente pode ou n\u00e3o contribuir para uma inven\u00e7\u00e3o de um saber fazer com a dificuldade encontrada.<\/p>\n<p>b) A Vida na Institui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>As ocasi\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o no cotidiano da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o faltam: o ato de se colocar e tirar \u00e0 mesa durante as refei\u00e7\u00f5es, a confec\u00e7\u00e3o do menu do dia seguinte, n\u00e3o deixar o lugar insalubre ao fim do dia. Um mural tamb\u00e9m \u00e9 constantemente utilizado por todos &#8211; adolescentes e t\u00e9cnicos &#8211; para o planejamento do dia, oficinas, card\u00e1pio, presen\u00e7as e aus\u00eancias, biblioteca, eventos na institui\u00e7\u00e3o e no mundo, etc. Ao redor dessas pequenas atividades se aposta na conting\u00eancia, para que o adolescente possa se inscrever em um la\u00e7o social, mas n\u00e3o sem que ele possa se deparar com a complexidade das tarefas que se deve passar para se obter o que deseja.<\/p>\n<p>c) Os \u201c<em>Ateliers<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Numerosos na origem da Unidade-dia para adolescentes, os <em>ateliers <\/em>hoje ocupam um outro lugar. Eles s\u00e3o constitu\u00eddos por atividades prop\u00edcias para que um adolescente <em>\u201cfa\u00e7a algo com seu sintoma\u201d<\/em>, onde o sujeito ter\u00e1 a chance de encontrar um lugar onde possa elaborar um objeto, onde possa investir em um saber. Os <em>ateliers<\/em> podem ser propostos por qualquer membro da equipe e todas as propostas s\u00e3o discutidas nas reuni\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>As Reuni\u00f5es Cl\u00ednicas como ponto nodal<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Estas reuni\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o apenas tempos de transmiss\u00f5es, onde cada um testemunha sua aposta no caso. Mas segundo Stavy (2003), citando Alexandre Stevens (1998, p. 11), elas devem permitir aos t\u00e9cnicos precisar o c\u00e1lculo de suas interven\u00e7\u00f5es no caso a caso<em>, <\/em>ou seja, dar todo valor para o \u201c<em>point de capiton\u201d <\/em>encontrado por um adolescente. Pode-se sustentar uma inven\u00e7\u00e3o deste jovem ou, ao contr\u00e1rio, consider\u00e1-la como algo n\u00e3o favor\u00e1vel ao caso, ou ainda, limitar o seu escopo. Esses c\u00e1lculos retornam para toda a equipe, que em seguida os coloca em a\u00e7\u00e3o junto aos adolescentes por eles assistidos.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o do Projeto Cl\u00ednico Institucional s\u00e3o realizadas quatro tipos de reuni\u00f5es cl\u00ednicas com a finalidade de se fazer valer a \u201c<em>pr\u00e1tica feita por muitos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Reuni\u00f5es cotidianas: acontecem no fim de cada dia de atendimento, permitindo a cada membro da equipe transmitir um ponto de impasse e, tamb\u00e9m, de avan\u00e7o em encontros pessoais com um adolescente. Ele permite, assim, colocar em ato \u201co lugar que ocupa a institui\u00e7\u00e3o para cada sujeito e a resposta a ser fornecida\u201d (STAVY, 2003, p.7).<\/p>\n<p>&#8211; Reuni\u00f5es semanais: a partir das reuni\u00f5es cotidianas, um educador apresenta o seu trabalho ao redor de um caso a cada semana. Os outros educadores, em seguida, apresentam suas pr\u00f3prias impress\u00f5es. Ent\u00e3o se desenvolve um debate onde se decide uma estrat\u00e9gia em fun\u00e7\u00e3o do tempo l\u00f3gico do caso \u2013 a t\u00e1tica se casando com a singularidade do caso. Espera-se que nenhum adolescente seja deixado de lado: tendo em vista o n\u00famero de adolescentes acolhidos, sendo cada caso abordado uma vez por trimestre.<\/p>\n<p>&#8211; Reuni\u00f5es mensais: cada primeira ter\u00e7a-feira do m\u00eas acontece uma reuni\u00e3o cl\u00ednica com outras unidades hospitalares, permitindo descompletar cada estrutura do Hospital. Discute-se um caso a partir da exposi\u00e7\u00e3o de um t\u00e9cnico. Um debate se faz com os outros t\u00e9cnicos da unidade, mas tamb\u00e9m com outros colegas de outras unidades. Este trabalho em comum \u00e9 uma aposta em favor da transmiss\u00e3o e do debate contra um <em>\u201cautismo de v\u00e1rios\u201d<\/em>. Esta reuni\u00e3o mensal \u00e9 uma maneira de enodar as diferentes unidades do Hospital: unidades orientadas pela preocupa\u00e7\u00e3o de cernir o mais singular do caso, independente de sua estrutura e a idade dos pacientes.<\/p>\n<p>&#8211; Reuni\u00f5es anuais: s\u00e3o reuni\u00f5es de jornadas de encontros nacionais e internacionais orientadas pelo Campo Freudiano, Jornadas da Escola da Causa Freudiana, da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise ou, ainda, Encontros de Jornadas de Estudos suscitadas e organizadas pelo pr\u00f3prio servi\u00e7o, que permitem o debate mais aberto sem ceder ao rigor do que \u00e9 exposto. Estas reuni\u00f5es objetivam fazer valer o que pode ser feito na <em>\u201cpr\u00e1tica feita por muitos\u201d,<\/em> para al\u00e9m dos protocolos, das estat\u00edsticas e das a\u00e7\u00f5es preventivas.<\/p>\n<p>Deste modo, este texto busca evidenciar o lugar primordial das reuni\u00f5es cl\u00ednicas realizadas no Hospital de Aubervilliers, onde se nota uma aposta de transmiss\u00e3o a partir da constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico feito por muitos. Destaca-se, em particular, a import\u00e2ncia das reuni\u00f5es di\u00e1rias, galgadas na discuss\u00e3o dos eventos ocorridos com cada adolescente durante a sua perman\u00eancia ao longo de todo aquele dia. Procura-se, assim, estabelecer dire\u00e7\u00f5es para os casos ali atendidos, por meio de inven\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias que cada adolescente traz frente \u00e0s ang\u00fastias por eles vivenciadas, a partir das conting\u00eancias surgidas no seu dia-a-dia.<\/p>\n<p>J\u00e1 as reuni\u00f5es semanais e mensais permitem as valida\u00e7\u00f5es dos casos de modo ampliado, a partir de propostas delineadas por eixos de trabalho individualizados a serem executados por toda a equipe.<\/p>\n<p>Visando ilustrar esta proposta de interven\u00e7\u00e3o desenvolvida no Hospital-dia da cidade de Aubervilliers ser\u00e1 abordado, a seguir, uma vinheta de constru\u00e7\u00e3o cl\u00ednica pelo vi\u00e9s da \u201c<em>pr\u00e1tica feita por muitos\u2019\u2019, <\/em>tendo a conting\u00eancia funcionado como algo propiciador de um novo la\u00e7o social.<\/p>\n<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o di\u00e1ria, fora discutido um acontecimento s\u00fabito observado pela equipe no <em>atelier<\/em> de modelagem: a posse, por parte de uma adolescente, de um caderno semelhante ao de sua analista, sendo tal objeto utilizado por ela como uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio, se propondo a registrar ali, de modo compulsivo, sua rotina ao longo de toda aquela tarde.<\/p>\n<p>Esse ato da escrita despertou na jovem algo de novo, cunhado por uma necessidade de se registrar sua rotina. Ela se mostrou muito investida neste trabalho, marcado por uma escrita sem limites ou bordas, sendo dif\u00edcil de dissuad\u00ed-la de tal tarefa para participar das atividades propostas no <em>atelier.<\/em><\/p>\n<p>A equipe <em>\u201cacusou recebimento\u201d<\/em> deste novo objeto \u2013 o caderno \u2013 propiciando a discuss\u00e3o deste caso na reuni\u00e3o cl\u00ednica. Decidiu-se pelo acompanhamento da adolescente neste trabalho de escrita, com a proposta de <em>\u201chistoricizar<\/em>\u201d suas experi\u00eancias e tentar limitar seus textos, cuidando para que esse n\u00e3o fosse um trabalho exaustivo e intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>No in\u00edcio a escrita era marcada por uma forma de apresenta\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica, que ultrapassava as margens do caderno e com um imperativo de se passar a limpo todos os erros ora cometidos pela jovem. Aos poucos, com o acompanhamento de um estagi\u00e1rio, ela passou a ordenar melhor o seu texto, demonstrando preocupa\u00e7\u00e3o com a forma da escrita e com o bem escrever.<\/p>\n<p>Nota-se que essa inven\u00e7\u00e3o possibilitou um apaziguamento na sua ang\u00fastia, permitindo a ela localizar-se simbolicamente no tempo e espa\u00e7o. Tamb\u00e9m possibilitou um certo \u201cv\u00e9u\u201d imagin\u00e1rio ao significante foraclu\u00eddo &#8211; era um <em>cahier<\/em> (caderno) que comportava um segredo, sendo compartilhado apenas com algumas pessoas, possibilitando a sua inscri\u00e7\u00e3o na forma de um enla\u00e7amento social com um Outro menos invasivo.<\/p>\n<p>Se anteriormente ela apresentava o comportamento bizarro de olhar para todos da equipe de cabe\u00e7a para baixo, indicando uma perturba\u00e7\u00e3o do objeto olhar &#8211; ela olhava e era olhada pelo outro estranhamente \u2013 agora ela p\u00f4de fazer uma amarra\u00e7\u00e3o dos registros RSI pela escrita do seu <em>cahier, <\/em>colocando um v\u00e9u ao mar aberto do gozo do Outro.<\/p>\n<p>O trabalho desenvolvido na Unidade-dia para adolescentes de Aubervilliers refor\u00e7a a aposta sobre o sujeito, mesmo ante ao menor \u00edndice de inscri\u00e7\u00e3o em um la\u00e7o social. Como nos ensina Stavy (2003, p.1) trata-se de um ato de f\u00e9: <em>\u02ddFazer reconhecimento de um pequeno nada produzido pelo sujeito j\u00e1 \u00e9 contar, por antecipa\u00e7\u00e3o, com um sintoma que seja equivalente a um la\u00e7o social\u201d<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<h6>&#8211; DI CIACCA, A. (1999). \u201cIl y a vingt cinq ans\u201d, Revue Pr\u00e9liminaires, n.11, p.5.<\/h6>\n<h6>&#8211; STAVY, Yves-Claude. (2001). Projet Clinique de l\u2019unit\u00e9 \u201cpetite enfance\u201d de l\u2019hopital de jour d\u2019Aubervilliers. (Documento interno).<\/h6>\n<h6>&#8211; STAVY, Yves-Claude (2003). Projet Clinique Unit\u00e9 \u201cadolescents\u201d. (Documento interno).<\/h6>\n<h6>&#8211; STEVENS, A. (1998). \u201cOuverture des Troisi\u00e9mes Journ\u00e9es du RB\u201d, Revue Pr\u00e9liminaires, n. 9, p. 11.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Este termo foi proposto por ocasi\u00e3o da abertura da III Jornada da Rede Internacional de Institui\u00e7\u00f5es Infantis (RI3) realizada em 1 e 2 de fevereiro de 1997 na Antenne 110 em Bruxelas \u2013 B\u00e9lgica.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Almeida Capanema Psicanalista e P\u00f3s-Doutora em Estudos Psicanal\u00edticos (UFMG) Este texto abordar\u00e1 a experi\u00eancia vivenciada no campo de um est\u00e1gio P\u00f3s-Doutoral realizado no H\u00f4pital de Jour Clos B\u00e9nard \u2013 Unit\u00e9 adolescents na cidade de Aubervilliers\/Fran\u00e7a no ano de 2020, em um servi\u00e7o de refer\u00eancia no atendimento a adolescentes psic\u00f3ticos e autistas e que faz&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-2103","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed-024","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2103"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2105,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2103\/revisions\/2105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2103"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=2103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}