{"id":2145,"date":"2022-12-16T17:18:23","date_gmt":"2022-12-16T20:18:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=2145"},"modified":"2022-12-16T17:18:23","modified_gmt":"2022-12-16T20:18:23","slug":"freud-analista-seus-casos-a-luz-da-orientacao-lacaniana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2022\/12\/16\/freud-analista-seus-casos-a-luz-da-orientacao-lacaniana\/","title":{"rendered":"Freud analista: seus casos \u00e0 luz da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2146\" src=\"http:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/001-001-Bernardino-Horne-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/001-001-Bernardino-Horne-300x300.png 300w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/001-001-Bernardino-Horne.png 1024w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/001-001-Bernardino-Horne-150x150.png 150w, https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/001-001-Bernardino-Horne-768x768.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Bernardino Horne<br \/>\nIPB. Bahia<strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<p>Sou Bernardino Horne, membro, na Se\u00e7\u00e3o Bahia, da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise e, portanto, da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Sou tamb\u00e9m associado do Instituto de Psicanalise da Bahia. Os Institutos, especialmente o da Bahia, est\u00e3o profundamente enraizados \u00e0 Escola.<\/p>\n<p>Fui designado para abrir o nosso ano de trabalho.<\/p>\n<p>O fa\u00e7o dando um abra\u00e7o a cada um dos colegas e um abra\u00e7o especial, de boas-vindas, a cada um dos futuros colegas.<\/p>\n<p>Freud fundou um campo cl\u00ednico e epist\u00eamico novo, inexistente: o Campo do Inconsciente ou Campo da Psican\u00e1lise ou, como o chamamos, o Campo Freudiano.<\/p>\n<p>Dentro de este Campo, a partir da leitura que faz Lacan durante os anos de seu ensino, se estabelece a Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana do Campo freudiano. \u00a0Desde a morte de Lacan, Jaques-Alain Miller mant\u00e9m um Curso que leva esse nome e incide nas dire\u00e7\u00f5es dessa rede de estudos e textos que \u00e9 o Campo Freudiano na sua perspectiva Lacaniana que, pensamos, \u00e9 profundamente Freudiana.<\/p>\n<p>Os que iniciam o Curso Regular come\u00e7ar\u00e3o esta experi\u00eancia ao trabalhar os casos cl\u00ednicos paradigm\u00e1ticos de Freud \u00e0 luz do poder epist\u00eamico da orienta\u00e7\u00e3o de leitura que permite Lacan.<\/p>\n<p>Esta orienta\u00e7\u00e3o se caracteriza pela import\u00e2ncia dada ao real, ao singular, ao mais \u00edntimo de cada sujeito. \u00c9 ali que apontamos, ao real \u00faltimo de cada um de n\u00f3s, onde se encontra o <em>sinthoma<\/em>, ou seja, o n\u00f3 inaugural do ser humano.<\/p>\n<p>A estrutura de nosso Instituto, assim como a da Escola \u00e9, a rigor, formada como uma rede tecida de saber. Todo o campo freudiano em sua orienta\u00e7\u00e3o lacaniana est\u00e1 constitu\u00eddo por uma abrangente e profunda rede de saber, algo vivo e vibrante em escritos, aulas, jornadas, congressos, encontros, revistas, a psican\u00e1lise pessoal e os controles; tudo em debate e trabalho constantes, incluindo hoje, em sua reflex\u00e3o, os problemas cruciais e novos acontecendo no campo social e que se produzem em movimento de alta velocidade. A press\u00e3o do mundo exterior \u00e9 t\u00e3o forte que corremos o perigo de cair em um ambientalismo superficial ou em uma sociologia barata.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise, \u00e0 diferen\u00e7a com outras disciplinas, tende a se superficializar e desaparecer. Sem o nosso esfor\u00e7o continuado, desaparece, pois \u00e9 inumana, porque vai contra ao que o ser humano procura, ou seja, a ignor\u00e2ncia, o n\u00e3o saber, e inventa quantidades de formas de viver sem ter que enfrentar suas verdades. O desejo do analista, que sustenta o tratamento, \u00e9 um desejo inumano, incomum, porque se dirige contra a repress\u00e3o, contra a falsa ideia de que existe uma zona de conforto fora do saber e do verdadeiro.<\/p>\n<p>Estaremos juntos dentro deste campo de estudo da psican\u00e1lise<\/p>\n<p>Em 1904 \u2013 218 anos atr\u00e1s &#8211; Freud escreveu um texto com a inten\u00e7\u00e3o de distinguir as psicoterapias da psican\u00e1lise. Publicado em 1905 com o titulo de \u201cAs psicoterapias\u201d.<\/p>\n<p>Nele, Freud relata que Leonardo da Vinci, sentiu a necessidade de diferenciar, de separar o que \u00e9 pintura do que \u00e9 escultura.<\/p>\n<p>Fazer teoria do que ele fazia.<\/p>\n<p>A pintura, diz Leonardo, procede \u201c<em>per via di porre<\/em>\u201d o que, em italiano, quer dizer \u201cpelo caminho de p\u00f4r, de colocar\u201d.<\/p>\n<p>Efetivamente, o pintor bota na branca tela o que tem na sua frente, bota, p\u00f5e, enche a tela, com cores e com pastas de diversas texturas, tentando assim dar a ver a imagem, a ideia que est\u00e1 em seu esp\u00edrito e que pretende transladar ao quadro.<\/p>\n<p>J\u00e1 a escultura, diz Leonardo, procede do modo contr\u00e1rio: n\u00e3o p\u00f5e, n\u00e3o coloca, tira.<\/p>\n<p>Procede, ent\u00e3o, por outra via: \u201c<em>Per via de levare<\/em>\u201d. O escultor vai tirando peda\u00e7os do bloco de pedra que tem diante de si, restos, camadas de pedra que ocultam \u201ca escultura que sempre esteve ali contida\u201d.<\/p>\n<p>Esta frase \u00e9 de Leonardo. \u00a0A escultura est\u00e1 ali desde sempre&#8230; no bloco de m\u00e1rmore!!!<\/p>\n<p>O escultor tem que saber fazer para que possa se tornar presente isso que existia e que estava ali desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p>Freud consegue fazer uma bela met\u00e1fora ao substituir a escultura pela psican\u00e1lise e a pintura pelas psicoterapias.<\/p>\n<p>Compara as psicoterapias \u00e0 pintura. Nela o analista, como o pintor, acredita saber o que ser\u00e1 bom e coloca isso no sujeito, tratando o analisando como o pintor trata a branca tela.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise, dir\u00e1 Freud, procede, como a escultura, pelo outro caminho, pela <em>\u201cvia de levare\u201d<\/em>, tirando, perturbando a fixidez das defesas e os falsos gozos fantasm\u00e1ticos, para chegar ao que verdadeiramente \u00e9 o ser, que dessa forma pode se tornar presente: Ser.<\/p>\n<p>\u00c9 tirando o que cobre, o que oculta, que o escultor chegar\u00e1 a essa \u00fanica pe\u00e7a: uma escultura. Para diz\u00ea-lo com nossas palavras, \u00e9 necess\u00e1rio um tempo para remover e poder chegar ao pr\u00f3prio, ao singular do Sujeito. \u00c0s resson\u00e2ncias e \u00e0 iteratividade do gozo. O que \u00e9 \u00fanico de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Esse existir feito de Gozo Um n\u00e3o est\u00e1 escondido no fundo de um saco. Est\u00e1 presente desde o primeiro momento ali, dentro da pedra e, em nossa cl\u00ednica, a dificuldade se apresenta como repeti\u00e7\u00e3o. Repeti\u00e7\u00e3o de algo ruim, de fracasso ou de impot\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje, segunda-feira 7 de mar\u00e7o de 2022, dia em que abrimos o nosso ano de trabalho em comum, podemos dizer que esta delicada met\u00e1fora que fabrica Freud, a partir de Da Vinci, continua t\u00e3o v\u00e1lida quanto em 1904.<\/p>\n<p>Esta intui\u00e7\u00e3o de haver algo \u00fanico em n\u00f3s, presente desde os in\u00edcios de Freud, encontra-se em Lacan tamb\u00e9m desde seus primeiros momentos.<\/p>\n<p>Com efeito, no in\u00edcio de seu ensino em 1953, Lacan, no Semin\u00e1rio Livro 1, se refere ao final da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Um par\u00eantese: Um dos motivos de ser t\u00e3o importante o passe, e o estudo e debate continuado sobre os finais de an\u00e1lise na Escola, \u00e9 porque a concep\u00e7\u00e3o de final define a posi\u00e7\u00e3o do analista no in\u00edcio.<\/p>\n<p>Voltando ao nosso assunto do Semin\u00e1rio 1: Nas duas \u00faltimas p\u00e1ginas do cap\u00edtulo 18, debate com um analista importante, Balint, as ideias sobre o final da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Contraria a ideia de Balint de que no final trata-se de abandonar uma identifica\u00e7\u00e3o ruim do sujeito para realizar uma nova identifica\u00e7\u00e3o, desta vez com seu analista, por ser melhor do que a anterior. Ou seja, uma proposta de trocar de identifica\u00e7\u00e3o, mas ficando sempre &#8211; seja ruim ou seja boa &#8211; como \u00a0algo que se toma do outro.<\/p>\n<p>Na sua cr\u00edtica, questiona a <em>Ego Psychology<\/em>, que se interessa pelo fortalecimento do ego. Lacan opina: \u201c&#8230; o progresso de uma an\u00e1lise n\u00e3o diz respeito ao aumento do campo do ego, n\u00e3o \u00e9 a reconquista pelo campo do ego da sua franja de desconhecido, \u00e9 uma verdadeira invers\u00e3o, um deslocamento, como um minueto executado entre o ego e o id\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>O fortalecimento do ego e a identifica\u00e7\u00e3o com o analista, como ponto de deten\u00e7\u00e3o, s\u00e3o criticados, surpreendentemente, com um poema.<\/p>\n<p>Nele j\u00e1 est\u00e1 em Lacan a ideia do singular, do H\u00e1 Um.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o l\u00ea a poesia, um d\u00edstico de \u00c2ngelus Silesius, no qual vemos de forma po\u00e9tica a mesma ideia de Leonardo e de Freud:<\/p>\n<p><em>Conting\u00eancia e ess\u00eancia<\/em><\/p>\n<p><em>Homem, torna-te essencial: porque, quando o mundo passa, a conting\u00eancia se perde e o essencial subsiste.<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>E acrescenta:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 disso mesmo que se trata ao termo da an\u00e1lise, de um crep\u00fasculo, de um decl\u00ednio imagin\u00e1rio do mundo, e at\u00e9 de uma experi\u00eancia no limite da despersonaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 ent\u00e3o que o contingente cai \u2013 o acidental, o traumatismo, os obst\u00e1culos da hist\u00f3ria \u2013 <em>e \u00e9 o ser que vem ent\u00e3o a se constituir<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Vejam como a t\u00e9cnica da escultura de Leonardo, que Freud considera como a orienta\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise, equivale ao que Lacan pensa do final da an\u00e1lise e, portanto, da orienta\u00e7\u00e3o a se manter desde o seu princ\u00edpio e durante o desenvolvimento de uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Esta diferen\u00e7a entre a<em> via di porre<\/em> e a<em> via di levare<\/em>, cria dois campos radicalmente separados e diferentes: O campo do Outro e o campo do Um.<\/p>\n<p>Ou partimos do Outro para terminar com algo melhor, mas sempre do Outro, ou partimos do Um para chegar, atrav\u00e9s do Outro, ao mais \u00edntimo e \u00fanico do Um.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a tem consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta introdu\u00e7\u00e3o, junto a meus melhores desejos para cada um de voc\u00eas, quero dizer algumas palavras sobre dois assuntos: O valor fundante da cl\u00ednica e sobre o real.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica \u00e9 o ponto de partida.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 partir da cl\u00ednica a constru\u00e7\u00e3o da teoria em psican\u00e1lise. Sabemos que antes de 1900, \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o da \u201cInterpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos\u201d, Freud encontrou um m\u00e9todo para dar sentido \u00e0s confiss\u00f5es dos analizantes interpretando os sofrimentos da mente humana ao par que constru\u00eda uma teoria do sentido desde as inacredit\u00e1veis surpresas da cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Lacan continuou o mesmo caminho. No in\u00edcio de seu ensino retomou os casos cl\u00ednicos de Freud e, no Semin\u00e1rio 1, afirma que a grande descoberta de Freud foi o dispositivo psicanal\u00edtico. Isso foi o que permitiu a ele, ouvindo suas pacientes, elaborar uma teoria da mente e lan\u00e7ar as bases de seu funcionamento.<\/p>\n<p>Com a morte de Lacan, em 1981, quando todos pensavam que Jaques-Alain Miller lan\u00e7aria a consigna de Retorno a Lacan, ele prop\u00f5e um retorno \u00e0 cl\u00ednica.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que: o dispositivo anal\u00edtico continua o mesmo apesar de grandes mudan\u00e7as te\u00f3ricas acontecerem.<\/p>\n<p>O que \u00e9 esse dispositivo?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma regra fundamental do dispositivo anal\u00edtico. Ela \u00e9 estruturante. Assigna ao analizante o seu lugar e a sua fun\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a de falar associando de modo livre, e veremos que essa liberdade \u00e9 relativa. Por outro lado, outorga ao analista a posi\u00e7\u00e3o de silencio e a tarefa crucial de assumir o ato de interromper dito silencio.<\/p>\n<p>A primeira frase na Introdu\u00e7\u00e3o ao Semin\u00e1rio diz: O mestre (se refere ao Mestre Zen) interrompe o sil\u00eancio de qualquer maneira&#8230; E finaliza a frase ao dizer que cabe ao disc\u00edpulo interpretar. A rigor voc\u00eas veem que a temporalidade da sess\u00e3o n\u00e3o pode ser um <em>standard<\/em> governado pelo rel\u00f3gio.<\/p>\n<p>Como falei, este dispositivo permanece firme desde antes da \u201cInterpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d, data que se considera como a do nascimento da psican\u00e1lise. Ainda usamos o mesmo dispositivo que cede ao analizante o in\u00edcio do discurso, a escolha do tema. A primeira palavra \u00e9 do analizante.<\/p>\n<p>O S1 de cada sess\u00e3o \u00e9 do analizante.<\/p>\n<p>O crucial, o importante, \u00e9 que este S1 traz consigo algo do primeiro gozo, do primeiro real de cada sujeito. Como conectar-se com ele e assim estabelecer o que chamamos de transfer\u00eancia ao real? Uma nova pergunta em pleno trabalho de respostas.<\/p>\n<p>E agora, algumas palavras sobre o real.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o real t\u00e3o mencionado como norte da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana do Campo Freudiano?<\/p>\n<p>O primeiro problema \u00e9 que, quanto mais tentamos falar, definir, limitar o real, mais longe dele ficamos.<\/p>\n<p>O real existe. N\u00e3o conhece o <em>$<\/em>ujeito ou o ser. O real n\u00e3o tem ser.<\/p>\n<p>Nele n\u00e3o tem como construir diferen\u00e7as ou fazer conjuntos. O real n\u00e3o tem nome, n\u00e3o informa. N\u00e3o h\u00e1 saber no real. \u00c9 o negativo do verdadeiro, existe como exterior ao saber. N\u00e3o faz la\u00e7o. N\u00e3o obedece nenhum sistema, n\u00e3o tem ordem.<\/p>\n<p>O real \u00e9 sem lei, diz Lacan no Semin\u00e1rio 23.<\/p>\n<p>O real na cl\u00ednica somente pode ser pensado como gozo. Dito de outra forma: o gozo \u00e9, na cl\u00ednica, o modo como vislumbramos, como percebemos os rastros, os ind\u00edcios do real.<\/p>\n<p>Esta resposta exige retomar a quest\u00e3o perguntando-nos sobre o gozo. O gozo n\u00e3o \u00e9 apenas um gozo, h\u00e1 gozos. O gozo pertence ao estatuto do existir. Este existir produz efeitos de resson\u00e2ncias, constitui, ao mesmo instante, uma satisfa\u00e7\u00e3o vital e mortificante.<\/p>\n<p>O desejo do analista \u00e9 precisamente o desejo de aproxima\u00e7\u00e3o ao real, de orientar-se ao real. Um desejo de abordar o inabord\u00e1vel e assim conseguir que o analizante possa chegar a um ponto sem sentido, final de sua an\u00e1lise, e ficar assim desabonado do inconsciente transferencial.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d \u2014 \u00e9 a primeira forma na qual Lacan diz da separa\u00e7\u00e3o radical do real com o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em <em>Piezas Sueltas<\/em>, Miller diz do real: o real de Lacan \u00e9 um negativo do verdadeiro, uma vez que ele n\u00e3o est\u00e1 ligado a nada, que est\u00e1 desatado de tudo, at\u00e9 mesmo de todo tudo. N\u00e3o obedece a nenhum sistema, condensando o fato puro do traumatismo.<\/p>\n<p>No inicio de sua vida como psicanalista, Lacan criticou o ensino nos Institutos da IPA. Escreveu v\u00e1rios textos, um dos quais se chama \u201cA psican\u00e1lise e seu ensino\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um texto de fevereiro de 1957 e est\u00e1 dividido em duas partes: o t\u00edtulo da primeira parte \u00e9 \u201cA Psican\u00e1lise e o que ela nos ensina\u201d. O t\u00edtulo da segunda \u00e9 \u201cComo ensin\u00e1-lo\u201d?<\/p>\n<p>A pregunta central de todo o texto, e que Lacan faz aos psicanalistas e a ele pr\u00f3prio, \u00e9 sobre o real da forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Como o real se faz presente na experi\u00eancia singular de cada um.<\/p>\n<p>Na primeira parte, na qual comentar\u00e1 sobre o que nos ensina a psican\u00e1lise, h\u00e1 uma interroga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se apaga em torno do real.<\/p>\n<p>Ele percebe que no inconsciente h\u00e1 alguma coisa que \u00e9 \u201ctranscendente ao sujeito\u201d.\u00a0 Afirma que \u201cdizer que o sintoma \u00e9 simb\u00f3lico, n\u00e3o \u00e9 dizer tudo\u201d. Neste momento, diz Lacan, Freud interrogava o sustento desta verdade com a concep\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>E acrescenta que, por perder este rigor psicanal\u00edtico e recusar esta interroga\u00e7\u00e3o de Freud sobre o real da puls\u00e3o de morte, os psicanalistas de hoje, tem ca\u00eddo num \u201cambientalismo declarado\u201d.<\/p>\n<p>A segunda parte, \u201cSe isto \u00e9 o que a psican\u00e1lise nos ensina&#8230; Como ensin\u00e1-lo?\u201d \u00e9 um texto \u00e9 muito rico e destaco apenas uns poucos assuntos entre outros.<\/p>\n<p>Abre com uma pergunta: \u201cqual \u00e9, esse algo que a psican\u00e1lise nos ensina ser-lhe pr\u00f3prio, o mais pr\u00f3prio, o verdadeiramente pr\u00f3prio da psican\u00e1lise?\u201d.<\/p>\n<p>Finaliza dizendo que s\u00f3 podemos transmitir um ensino que mere\u00e7a ser chamado de um retorno a Freud, pela via de transmitir um estilo. Vejam que o estilo de cada um tem a ver com o singular.<\/p>\n<p>Em 1967, dez anos depois, no livro 7 \u201cA \u00e9tica da psican\u00e1lise\u201d, Lacan inicia os prim\u00f3rdios do \u00faltimo ensino com um programa de investiga\u00e7\u00e3o sobre o real.<\/p>\n<p>A pergunta pelo real est\u00e1 intimamente relacionada ao fato de Lacan, nesse momento da sua reflex\u00e3o, se questionar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o Um e o Outro e, assim, esse programa perdurar\u00e1 at\u00e9 o final da sua vida, ou seja, se estende at\u00e9 o final do seu ensino, especialmente at\u00e9 o Livro 23 sobre \u201cO Sinthoma\u201d.<\/p>\n<p>Com efeito, o Semin\u00e1rio 7, \u201cA \u00e9tica da Psican\u00e1lise\u201d apresenta, em sua primeira aula, um novo programa de trabalho sobre o real, centrado na inten\u00e7\u00e3o de \u201calcan\u00e7ar um aprofundamento na no\u00e7\u00e3o do real\u201d.<\/p>\n<p>Esse projeto \u00e9tico n\u00e3o procura o caminho do ideal, para continuar com a cl\u00e1ssica procura do bem, em especial na tradi\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica. Est\u00e1 inspirado no pr\u00f3prio Freud que, em \u201cA Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos\u201d, diz: \u201c<em>Flectere si nequeo superos, acheronta movebo<\/em>\u201d \u2014 se n\u00e3o posso mobilizar os deuses dos c\u00e9us, movimentarei os do inferno.<\/p>\n<p>Em 1924, Freud publica \u201cO Problema econ\u00f4mico do masoquismo\u201d e ali modifica a sua teoria de 1915, na qual colocava o sadismo como anterior ao masoquismo, propondo agora o sentido contr\u00e1rio: o masoquismo antecede o sadismo. Desta forma o pr\u00f3prio corpo \u00e9 o objeto inicial da puls\u00e3o.<\/p>\n<p>Lacan se interessa, &#8211; sempre no Semin\u00e1rio 7, pelo famoso Marqu\u00eas de Sade, pela sua vida e a sua obra. Sade, que d\u00e1 seu nome \u00e0 pervers\u00e3o \u201csadismo\u201d, teve uma vida pessoal profundamente masoquista. Podemos colocar em paralelo, como um conflito \u00e9tico, a m\u00e1xima de Sade e a m\u00e1xima kantiana. O comum, em ambas, \u00e9 que s\u00e3o universalizantes. Kant diz: Atue de tal modo que a m\u00e1xima da tua vontade possa sempre valer, ao mesmo tempo, como princ\u00edpio de uma legisla\u00e7\u00e3o universal. Lacan, por sua vez, em sua leitura da \u201cFilosofia na Alcova\u201d, infere a m\u00e1xima sadiana da seguinte maneira: \u201cTenho o direito de gozar do teu corpo, pode me dizer qualquer um, e exercerei esse direito, sem que nenhum limite me detenha no capricho das extors\u00f5es que me d\u00ea gosto de nele saciar\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Ent\u00e3o, a aspira\u00e7\u00e3o de aproximar-se do real com a inten\u00e7\u00e3o de se aprofundar nele, implica, segundo Lacan, alcan\u00e7ar o n\u00facleo do masoquismo er\u00f3geno prim\u00e1rio freudiano.<\/p>\n<p>Um par\u00eantese sobre o masoquismo er\u00f3geno prim\u00e1rio:<\/p>\n<p>O texto de Freud tem uma primeira parte que trata de uma quest\u00e3o crucial: o masoquismo coloca em quest\u00e3o o Princ\u00edpio de Prazer, que governa a forma como \u00e9 desenvolvida a estrutura ps\u00edquica de tal modo que a finalidade imediata do sistema \u00e9 se livrar do desprazer e tentar condescender ao prazer. Freud relaciona o desprazer ao aumento da quantidade e o prazer \u00e0 sua diminui\u00e7\u00e3o. Assim, a estrutura do aparelho ps\u00edquico est\u00e1 configurada para escoar quantidade, na medida em que seu aumento excessivo \u00e9 o que provoca o desprazer.<\/p>\n<p>O masoquismo er\u00f3geno prim\u00e1rio \u00e9 a base de todo masoquismo. \u00c9 a satisfa\u00e7\u00e3o no sofrimento e na dor do corpo. Como se pode gerar uma coisa assim, que foge ao princ\u00edpio do prazer?<\/p>\n<p>Freud fala da seguinte forma, parecendo a descri\u00e7\u00e3o de uma batalha, como se d\u00e3o &#8211; na realidade &#8211; entre for\u00e7as adversas:<\/p>\n<p>A puls\u00e3o de morte entra no corpo de modo destrutivo, empurrando o organismo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, e a solu\u00e7\u00e3o cabe \u00e0 libido. A libido ent\u00e3o se encontra nos seres vivos com o instinto de morte ou de destrui\u00e7\u00e3o, que se faz presente no instante do nascimento e que, \u201cbusca desintegrar este ser e conduzir cada um dos organismos elementares dele ao estado de inorg\u00e2nica estabilidade\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>A forma que a libido encontra para salvar a vida da puls\u00e3o de morte \u00e9 a de desviar a maior parte poss\u00edvel para fora, para os objetos do mundo exterior \u2013cit.- \u201ccom a ajuda de um sistema org\u00e2nico particular, a musculatura\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Outra parte, que n\u00e3o realiza essa muta\u00e7\u00e3o para fora, permanece no organismo e, com a ajuda da libido sexual, torna-se ligada libidinalmente ao corpo e nela devemos reconhecer o masoquismo original er\u00f3geno. A puls\u00e3o de morte n\u00e3o ligada a nenhuma dessas formas passa a fazer parte do Superego, que assim fica, desde a sua constitui\u00e7\u00e3o, feito de pura puls\u00e3o de morte, e por isso precisamente seu imperativo categ\u00f3rico sempre ser\u00e1 a ordem: Goza!<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 pergunta pelo real: H\u00e1 Um.<\/p>\n<p>V\u00e1rias s\u00e3o as consequ\u00eancias cl\u00ednicas que tem partir do Outro do que faz\u00ea-lo do Um.<\/p>\n<p>Duas delas, que desejo apenas mencionar, s\u00e3o: a transfer\u00eancia \u00e9 ao real, e o que orienta a cura n\u00e3o \u00e9 mais o sentido, mas o sem sentido, produzindo-se assim uma passagem da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Real\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Leitura\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Simb\u00f3lico\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Interpreta\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0 Imagin\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Sem sentido &lt;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-+&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-\uf0e0 Sentido<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&lt;&#8212;&#8212;-\u00a0 Giro de 180graus -\uf0e0<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 uma dificuldade especial na aceita\u00e7\u00e3o das teorias anal\u00edticas.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio \u201cA Ang\u00fastia\u201d, Lacan inicia o cap\u00edtulo XIX, chamado \u201cO falo evanescente\u201d, tratando da diferen\u00e7a entre o tempo necess\u00e1rio para uma comunidade cient\u00edfica aceitar uma nova teoria e o tempo necess\u00e1rio para a comunidade anal\u00edtica aceitar mudan\u00e7as importantes. A teoria da relatividade de Einstein, pouco tempo depois de publicada, contou com a compreens\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica. O mesmo aconteceu com as teorias de Newton, etc. N\u00e3o \u00e9 assim na Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O giro de Freud de 1920, que introduz a puls\u00e3o de morte, levou tempo e nunca foi totalmente aceito por diversos analistas \u2014 especialmente pela comunidade norte-americana da IPA ligada \u00e0 <em>Ego Psychology<\/em>.<\/p>\n<p>Lacan continua a dizer, no Livro 10 do Semin\u00e1rio, que os analistas precisamos de bem mais tempo, em decorr\u00eancia da necessidade de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A implica\u00e7\u00e3o subjetiva do analista na inclus\u00e3o dos conceitos \u201cdepende da ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 por isso que continuamos nossas an\u00e1lises. \u00c9 por isso que, para estudar psican\u00e1lise, temos que ir a um analista.<\/p>\n<p>Quero terminar relatando a voc\u00eas o seguinte:<\/p>\n<p>Antes de seu \u00faltimo ensino, Lacan utiliza uma met\u00e1fora muito bonita para mostrar a a\u00e7\u00e3o do significante sobre o corpo. Nela, uma nuvem carregada de \u00e1gua cai como chuva sobre a terra, produzindo sulcos nos quais a \u00e1gua corre, \u00e0 procura de uma sa\u00edda. A nuvem claramente representa o Outro, carregado de significantes que caem sobre o ser, virgem de marcas. V\u00e3o se formando assim sendas de circula\u00e7\u00e3o que equivalem ao discurso, que vai se tecendo e, dessa forma, \u201cfacilitando\u201d a passagem, como diz Freud, ou \u201cfixando\u201d, como diz Lacan, o caminho da descarga, ou seja, o sentido daquilo que ir\u00e1 se formando como discurso. Desse modo, estruturam-se o Sujeito e o Ser, com uma consist\u00eancia de discurso.<\/p>\n<p>Miller, j\u00e1 na perspectiva do \u00faltimo ensino, usa essa met\u00e1fora para dizer, sobre a chuva significante, que sim, sem d\u00favida, se trata de uma escrita, mas que antes dela se produzir, existe outra. Antes da chuva de significantes do Outro, h\u00e1 outra escrita.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 duas escritas.<\/p>\n<p>Essa primeira, determinante, \u00e9 uma escrita que se instaura a partir do Um. N\u00e3o \u00e9 como uma chuva, \u00e9 como um vulc\u00e3o que, de dentro, explode e tra\u00e7a sulcos pelos quais, posteriormente, se encaminhar\u00e3o os significantes que caem das nuvens do Outro<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan reserva esse campo, que chamar\u00e1 de campo do Uniano, para a escrita borromeana que vem do Um e, repito, n\u00e3o depende de fora, do Outro-nuvem \u2014 surge de dentro do vulc\u00e3o, como gozo. Esse debate \u00e9 antigo na psican\u00e1lise e, como vimos, parte da teoria do masoquismo er\u00f3geno de Freud.<\/p>\n<p>Esse excesso de for\u00e7a do vulc\u00e3o se trabalha por meio da muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A muta\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamentalmente uma passagem de gozo excessivo para desejo, a partir da produ\u00e7\u00e3o de amor, que \u00e9 uma das consequ\u00eancias de uma psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Este nosso mundo atual \u00e9 resultado da evapora\u00e7\u00e3o da figura patriarcal, mudan\u00e7a na qual participa o discurso do capitalismo que \u00e9 fundamentalmente um discurso sem amor, e da desapari\u00e7\u00e3o do valor do simb\u00f3lico. Deste mundo da velocidade, do valor da imagem, que tem o gozo no centro e a puls\u00e3o esc\u00f3pica \u00e9 predominante, formam parte nossos pacientes.<\/p>\n<p>A acelera\u00e7\u00e3o temporal e o uso da imagem, presentes e em crescimento exponencial, dependem da puls\u00e3o esc\u00f3pica de grande poder no ser humano e que se satisfaz do puro ato de olhar.<\/p>\n<p>Assim vivem nossos amigos e colegas, os jovens sofrem assim, e vemos as mudan\u00e7as, na cl\u00ednica, na abordagem transferencial, quando h\u00e1 analista, mas n\u00e3o h\u00e1 analizante.<\/p>\n<p>Para terminar quero dizer que o amor \u00e9 figura central na a\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Lembro a famosa frase de Lacan, do Semin\u00e1rio 10, sobre como \u00e9 o amor que faz o gozo condescender ao desejo. E tamb\u00e9m a frase de Freud quando afirma que a psican\u00e1lise \u00e9 uma cura por amor.<\/p>\n<p>E com isto encerro minhas palavras e abro um novo ano, desejando que o mundo se acalme.<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o a cada um de voc\u00eas e que possamos ter um bom ano trabalho!<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, Jacques. O Semin\u00e1rio Livro 1: A ordem simb\u00f3lica. P\u00e1g. 264. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, Jacques. Escritos: Kant com Sade. P\u00e1g. 780. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> FREUD, Sigmund. O ego e o id e outros trabalhos: O problema econ\u00f4mico do masoquismo. P\u00e1g. 199. Rio de Janeiro, 1976.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> O real \u00e9 sem lei. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana 34, S\u00e3o Paulo, 2002.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardino Horne IPB. Bahia\u00a0 Sou Bernardino Horne, membro, na Se\u00e7\u00e3o Bahia, da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise e, portanto, da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise. Sou tamb\u00e9m associado do Instituto de Psicanalise da Bahia. Os Institutos, especialmente o da Bahia, est\u00e3o profundamente enraizados \u00e0 Escola. Fui designado para abrir o nosso ano de trabalho. O fa\u00e7o dando&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-2145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed-024","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2145"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2147,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2145\/revisions\/2147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2145"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=2145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}