{"id":2359,"date":"2025-12-18T08:41:25","date_gmt":"2025-12-18T11:41:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/?p=2359"},"modified":"2025-12-18T08:41:25","modified_gmt":"2025-12-18T11:41:25","slug":"do-outro-como-parceiro-sexual-em-dias-de-abandono-de-elena-ferrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.institutopsicanalisebahia.com.br\/lapsus\/2025\/12\/18\/do-outro-como-parceiro-sexual-em-dias-de-abandono-de-elena-ferrante\/","title":{"rendered":"Do Outro como parceiro sexual em Dias de abandono, de Elena Ferrante"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Rog\u00e9rio Paes Henriques<br \/>\n<\/em><\/strong>Associado ao Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia<br \/>\nPsicanalista<br \/>\nProfessor Titular do Departamento de Psicologia (DPS) \/ Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (PPGPSI) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).<\/p>\n<p><strong>O g\u00eanero segundo a psican\u00e1lise lacaniana<\/strong><\/p>\n<p>A anatomia psicanal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 a anatomia \u201cnatural\u201d (sexo), tampouco \u201csociocultural\u201d (g\u00eanero). Trata-se antes da <em>sexua\u00e7\u00e3o<\/em> (Morel, 2012, p. 137). Isso significa que nosso corpo est\u00e1 marcado por significantes e s\u00f3 tem forma porque somos capazes de nos apropriarmos psiquicamente dele, reconhecendo-o no espelho. O corpo do ser falante goza muito mais al\u00e9m de suas necessidades, dado que a linguagem subverte o corpo \u201cnatural\u201d (Morel, 2012, p. 162). Nesse sentido, ser <em>homem<\/em> ou <em>mulher<\/em> confronta cada um com o que n\u00e3o se sabe \u2013 pelo menos com o que n\u00e3o se pode saber antecipadamente sobre si mesmo (Leguil, 2016, p. 62). Homem e mulher, depois de Lacan, designam dois modos de ser \u2013 duas posi\u00e7\u00f5es sexuadas \u2013 menos referidas \u00e0s normas de g\u00eanero do que \u00e0s maneiras de responder ao desejo do Outro (Leguil, 2016, p. 19). O g\u00eanero \u00e9 aquilo que desperta em cada um a quest\u00e3o do que se deseja e de quem se deseja: sexual e amorosamente (Leguil, 2016, p. 33). Trata-se de uma quest\u00e3o de desejo e gozo, de encontro e de linguagem, que n\u00e3o se deixa normatizar. Esp\u00e9cie de \u201csopro impalp\u00e1vel\u201d que anima o ser \u201cde maneira inesperada e prec\u00e1ria\u201d (Leguil, 2016, p. 40). O g\u00eanero \u00e9, para cada um, um ponto opaco na exist\u00eancia, que nos confronta com uma forma de estranheza, independentemente do corpo que se tenha ou que se pretenda ter.<\/p>\n<p><strong>Real do sexo: o gozo do corpo<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o gozo do corpo, o sexual como tal, o que funciona como Outro para o sujeito\u201d (Bassols, 2021, p. 32). O feminino em psican\u00e1lise \u00e9 um dos nomes para esse gozo do corpo; trata-se da alteridade radical \u2013 o sexo como diferen\u00e7a absoluta \u2013, que rompe com a norma f\u00e1lica universal e seu universo discursivo. Parece um \u201cOutro gozo\u201d, mas trata-se da irrup\u00e7\u00e3o do <em>Um do gozo sem Outro<\/em> do qual receber significa\u00e7\u00e3o. Nunca entenderemos a estranheza de <em>ter<\/em> um corpo sem <em>ser<\/em> esse corpo. \u00c9 ante tal solid\u00e3o do corpo e do gozo do Um que cada ser humano deixa de ser id\u00eantico a si mesmo e se converte em um estrangeiro para si mesmo, em Outro para si mesmo (Bassols, 2021, p. 59).<\/p>\n<p>O que define a posi\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 a natureza suposta do sujeito e do objeto, seu car\u00e1ter de g\u00eanero, mas sim sua posi\u00e7\u00e3o de gozo com rela\u00e7\u00e3o a um objeto <em>a<\/em>-sexuado, sempre fora de g\u00eanero, sem nenhuma qualidade que o fa\u00e7a essencial. O <em>homo <\/em>ser\u00e1, ent\u00e3o, aquele que quer tornar homog\u00eaneo este objeto \u00e0 sua pr\u00f3pria imagem, enquanto o <em>hetero<\/em> aquele que consente \u00e0 alteridade radical do Um do gozo, sejam quais forem os g\u00eaneros em jogo (Bassols, 2021, p. 45). N\u00e3o \u00e0 toa, para a psican\u00e1lise, heterossexual \u00e9 quem ama a alteridade encarnada pelas mulheres, que s\u00f3 existem singularmente, tomadas uma a uma. Uma escolha de amor lacaniana \u00e9 ent\u00e3o uma hetero-escolha na medida em que aponta ao feminino que h\u00e1 em cada ser que fala, mais al\u00e9m de suas identifica\u00e7\u00f5es ideais, como o que p\u00f5e em suspenso a homogeneidade de suas identifica\u00e7\u00f5es (Bassols, 2021, p. 47).<\/p>\n<p>Contudo, essa cis\u00e3o da mulher como sujeito do inconsciente e como Outro que sustenta uma alteridade para todo ser falante, isto \u00e9, tal parti\u00e7\u00e3o entre o gozo f\u00e1lico, homog\u00eaneo ao registro do sujeito, e o \u201cOutro gozo\u201d, heterog\u00eaneo a ele, por vezes, a lan\u00e7a em desvarios. \u201cEla desatinou\u201d, diria Chico Buarque. Desatinos intr\u00ednsecos \u00e0 vacila\u00e7\u00e3o t\u00edpica da estrutura do feminino, conforme a l\u00f3gica da sexua\u00e7\u00e3o, entre a norma f\u00e1lica e o <em>n\u00e3o-todo<\/em> f\u00e1lico. Um dos nomes dados a tais desatinos \u00e9 <em>devasta\u00e7\u00e3o<\/em>, efeito para o sujeito que se encontra na posi\u00e7\u00e3o feminina ao se deparar com a falta de significante no Outro que o designe ou com a presen\u00e7a do vazio de ser, do <em>des-ser<\/em>. Isso \u00e9 experimentado pelo sujeito como desvario, desarrazoamento, desmedida, que o deixa fora do tempo e do la\u00e7o social, tornando-o louco, m\u00edstico, situado na pr\u00f3pria clivagem do eu (Miranda, 2017).<\/p>\n<p><strong>Devasta\u00e7\u00e3o como tra\u00e7o da vida amorosa: personagem Olga<\/strong><\/p>\n<p>Olga \u00e9 uma mulher de 38 anos, residente em Mil\u00e3o, escritora amadora, casada h\u00e1 quinze anos com Mario, m\u00e3e de um casal de crian\u00e7as e tutora de um c\u00e3o. De s\u00fabito, ela \u00e9 abandonada pelo marido: \u201cUma tarde de abril, logo ap\u00f3s o almo\u00e7o, meu marido me comunicou que queria me deixar\u201d (Ferrante, 2016, p. 5). \u201cAbril \u00e9 o m\u00eas mais cruel\u201d, l\u00ea-se em <em>A terra devastada<\/em> (Eliot, 1999): a devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 o fio condutor da narrativa em abismo de Ferrante.<\/p>\n<p>Da rela\u00e7\u00e3o de devasta\u00e7\u00e3o m\u00e3e-filha (Lacan, 1972\/2003, p. 465), Olga se recorda em sua inf\u00e2ncia dos relatos maternos sobre as \u201cpobres coitadas\u201d [poverella]: \u201cquando voc\u00ea n\u00e3o sabe segurar um homem perde tudo [&#8230;] o que acontece quando, plena de amor, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais amada, \u00e9 deixada sem nada\u201d (Ferrante, 2016, p. 12).<\/p>\n<p>Mario abandona Olga e desposa Carla, uma \u00f3rf\u00e3 de pai, filha adolescente (15 anos) de uma conhecida sua, de quem ele assume \u2013 paternalmente! \u2013 o refor\u00e7o escolar com \u201cexerc\u00edcios de qu\u00edmica\u201d. Tal <em>qu\u00edmica<\/em> os torna amantes e, cinco anos depois, marido e mulher. Olga \u00e9 destitu\u00edda de seu lugar junto ao Outro: \u201csenti em cada peda\u00e7o do corpo os arranh\u00f5es do abandono sexual\u201d (Ferrante, 2016, p. 19).<\/p>\n<p>A mera presen\u00e7a f\u00edsica de Mario \u2013 para al\u00e9m de seu estado de esp\u00edrito \u2013 colmatava um vazio em Olga: \u201ca sua presen\u00e7a \u2013 ou melhor, sua aus\u00eancia, que no entanto poderia sempre se transformar em presen\u00e7a, caso fosse necess\u00e1rio \u2013 me tranquilizava\u201d (Ferrante, 2016, p. 24). No entanto, esse corpo presente de Mario se foi: \u201cum medidor de vida que vai embora deixando um rastro de ang\u00fastia\u201d (Ferrante, 2016, p. 37). O corpo do marido, esse objeto do qual Olga espera mais \u201csubst\u00e2ncia\u201d do que do Outro e de seus nomes (Brousse, 2019; Vieira, 2022), denota sua <em>posi\u00e7\u00e3o feminina devastada<\/em>. Olga efetivamente cai junto com o objeto perdido: \u201cEu pensava somente nele, em como tinha acontecido isso de ele parar de me amar, da necessidade que eu sentia de ter o amor de volta, ele n\u00e3o podia me deixar assim\u201d (Ferrante, 2016, p. 59).<\/p>\n<p>At\u00e9 que Olga se d\u00e1 conta da conting\u00eancia de seu encontro com Mario: \u201cum corpo qualquer ao qual atribu\u00edmos sabe-se l\u00e1 quais significados\u201d (Ferrante, 2016, p. 70). Eis ent\u00e3o que Olga tenta contingentemente restaurar sua <em>posi\u00e7\u00e3o feminina<\/em>, via mascarada, seduzindo sexualmente seu vizinho, Aldo Carrano. As palavras de amor deste mostram-se falicizantes, embora <em>n\u00e3o de todo<\/em>. Sozinha em seu apartamento, Olga conclui: \u201cConsegui me acalmar somente dizendo a mim mesma: \u2018Amo meu marido e por isso tudo isso tem um sentido\u2019\u201d (Ferrante, 2016, p. 84). Ante fracassadas tentativas de constru\u00e7\u00e3o de um corpo falicizado, ela constata: \u201cEscorreguei atr\u00e1s das frases de amor do meu marido\u201d (Ferrante, 2016, p. 101).<\/p>\n<p>Seu autodiagn\u00f3stico: \u201cTornara-me uma esposa obsoleta, um corpo negligenciado, minha doen\u00e7a \u00e9 s\u00f3 a vida feminina que ficou fora de uso\u201d (Ferrante, 2016, p. 107). Olga se depara assim com um S<sub>1 <\/sub>(significante-mestre) materno aterrador: \u201ca coisa que temia desde pequena \u2013 crescer e ficar como a pobre coitada\u201d (Ferrante, 2016, p. 112-113). A <em>poverella<\/em> ganha vida e aparece algumas vezes no romance como um \u00edncubo que lhe franqueia Outro gozo. Resta-lhe \u201cPreservar ent\u00e3o \u2018estrago\u2019<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, fixar bem esta palavra\u201d (Ferrante, 2016, p. 114).<\/p>\n<p>O reenlace nodal de Olga ocorre por interm\u00e9dio do <em>arrebatamento<\/em> que experimenta por seu vizinho, Carrano, ovacionado pela plateia ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o musical p\u00fablica de virtuose no violoncelo: \u201cSentia-me aturdida, tinha a impress\u00e3o de que a pele enfaixava com muita for\u00e7a meus m\u00fasculos, os ossos\u201d (Ferrante, 2016, p. 171). Como \u201cuma opera\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, subjetiva, que vai articular os tempos de jun\u00e7\u00e3o do sujeito e de seu corpo\u201d (Laurent, 2012, p. 152), o arrebatamento possibilita a Olga moderar sua experi\u00eancia de gozo devastadora rumo \u00e0 felicidade f\u00e1lica: \u201cA meus olhos, aquele homem do andar de baixo se tornara guardi\u00e3o de uma pot\u00eancia misteriosa\u201d (Ferrante, 2016, p. 174); \u201cnos amamos longamente, nos dias e nos meses porvir, quietamente\u201d (Ferrante, 2016, p. 183). Da\u00ed para frente, ante seu reposicionamento como objeto de amor do Outro, diz Olga: \u201cO essencial \u00e9 que a corda, a trama que agora me juntava, segurasse firme\u201d (Ferrante, 2016, p. 172).<\/p>\n<p>No tempo l\u00f3gico da puls\u00e3o (Lacan, 1964\/1998), parte-se da atividade \u00e0 passividade, at\u00e9 chegar \u00e0 forma gramatical reflexiva. No trilhamento do trajeto pulsional, o sujeito se faz objeto para o Outro e encerra sua indetermina\u00e7\u00e3o subjetiva: Olga se faz amar.<\/p>\n<p><strong>Para concluir<\/strong><\/p>\n<p>Em <em>O banquete<\/em>, S\u00f3crates, por insistir em abordar o amor racionalmente, n\u00e3o consegue acess\u00e1-lo. Ele, ent\u00e3o, evoca Diotima \u2013 a sacerdotisa estrangeira \u2013, fazendo-a falar por seu interm\u00e9dio. Lacan (1960-1961\/2010) afirmar\u00e1 que \u201co discurso propriamente socr\u00e1tico, o da <em>\u00e9pist\u00e8m\u00e8<\/em> [&#8230;] n\u00e3o d\u00e1 conta do objeto amor\u201d (p. 153), da\u00ed ele se apagar e fazer a mulher que est\u00e1 <em>in-corporada<\/em> nele falar. O feminino como alteridade absoluta em psican\u00e1lise \u00e9 a via privilegiada de acesso \u00e0s quest\u00f5es sexuais e amorosas.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">BASSOLS, Miquel. <em>La diferencia sexual no existe en el inconsciente<\/em>. Olivos: Grama Ediciones, 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">BROUSSE, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. <em>Mulheres e discursos<\/em>. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">ELIOT, Thomas S. <em>A terra devastada<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Gualter Cunha. Lisboa: Rel\u00f3gio D\u2019\u00e1gua, 1999.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">FERRANTE, Elena. <em>Dias de abandono<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Francesca Cricelli. S\u00e3o Paulo: Biblioteca Azul, 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 11: <em>Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. (1964) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: M. D. Magno. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LACAN, Jacques. O aturdito. (1972) In: LACAN, Jacques. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 448-497.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 8: <em>A transfer\u00eancia<\/em>. (1960-1961) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LAURENT, \u00c9ric. <em>A psican\u00e1lise e a escolha das mulheres<\/em>. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LEGUIL, Clotilde. <em>O ser e o g\u00eanero<\/em>: homem\/mulher depois de Lacan. Belo Horizonte: EBP Editora, 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">MIRANDA, Elisabeth R. <em>Desarrazoadas<\/em>: devasta\u00e7\u00e3o e \u00eaxtase. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">MOREL, Genevi\u00e8ve. <em>Ambig\u00fcedades sexuales<\/em>: sexuaci\u00f3n y psicosis. Tradu\u00e7\u00e3o: Horacio Pons. Buenos Aires: Manantial, 2012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">VIEIRA, Marcus Andr\u00e9. Amor e devasta\u00e7\u00e3o (sofr\u00eancias). <em>Erosditos \u2013 Boletim Eletr\u00f4nico da XXVI Jornada da EBP Bahia \/ XXII Jornada do Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia<\/em>, n. 4, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/amor-e-devastacao-sofrencias1\/. Acesso em: 7 out. 2022.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Um dos nomes da <em>devasta\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rog\u00e9rio Paes Henriques Associado ao Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia Psicanalista Professor Titular do Departamento de Psicologia (DPS) \/ Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (PPGPSI) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O g\u00eanero segundo a psican\u00e1lise lacaniana A anatomia psicanal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 a anatomia \u201cnatural\u201d (sexo), tampouco \u201csociocultural\u201d (g\u00eanero). 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