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Convite para envio de trabalhos

FIM

Fim – esse significante que nos leva a tantos significados e possibilidades, assim como nos leva ao ponto-final. Para Freud, há um paradoxo em que a morte é um fato inegável, mas também o nosso inconsciente a torna inconcebível. Assim, falar sobre a finitude da vida, ou de algo, ou alguém, aparece como tabu.

Fim como algo acabado? Que pode ser agarrado nas mãos? Está mais para o instante de ver, do tempo de compreender e do momento de concluir. O fim é perpassado por todos esses tempos, a exemplo de situações como a guerra, uma pandemia, o fim de análise ou de um relacionamento.

O final de uma música, ou o final de um filme feito com um corte, um fim suspenso, uma interpretação que vem do próprio ouvinte, ou espectador. O que está por vir como surpresa da leitura possível a partir da singularidade de cada um.

Na música “O silêncio das estrelas”, de Lenine, destaco os versos “Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos, / Como um Deus, e amanheço mortal”. O fim está no curso na vida. A cada ciclo, uma nova roupagem.

São muitas as facetas que nos angustiam – a crise ecológica: mudanças climáticas e degradação ambiental; divisões sociais: aprofundamento da exclusão e marginalização; guerras; guerras urbanas; fim de análise…

Tem algo da espacialidade do tempo que nos conduz ao fim. Mas é fim, ou o fim que entendemos como tal, um fim provisório? A psicanálise se interessa pelo tempo relativo e não o cronológico.

Uma forma comum de pensarmos o adiamento da morte é a busca por um amor; pela “alma gêmea” chega-se ao fim ao encontrar o parceiro(a). É da ordem de uma contingência. Mas uma nova angústia se instala pelo medo do fim desse amor. O desejo de tornar o amor eterno. Eterno? Sem fim? Como um desejo de eternizar-se?

Estamos a todo o tempo às voltas com a erótica do tempo na sua relação com o começo, meio e fim. Não cessa de não se escrever, está no limite entre a linguagem e o simbólico. Há a impossibilidade de se dizer tudo ao pensar a finitude.

Esse significante “fim” aparece como um unheimlich, um estranho, um desconhecido, e que ao mesmo tempo pode se transmutar em algo familiar, velho conhecido. Basta pensar que antes do final é só encerrar um ciclo, um período de vida e abrir novamente. Parece cínico, mas acalenta.

É sempre singular o modo de lidar com o fim, seja pela sensação de desamparo ou do saber fazer aí.

Que possamos nos abrir a escrever sobre esse impossível/possível de suportar, a partir das experiências em análise e fora dela.

Anunciamos que neste ano a revista Lapsus partirá do tema “fim” para a elaboração dos artigos para o número a ser lançado no segundo semestre de 2026. Aguardamos seus escritos.

Vejam os critérios de publicação na página da revista.

Prazo de envio dos trabalhos: até 8 de setembro de 2026.

FIM

Liliane Sales
Editora da Lapsus

 


Referências

FREUD, S. Considerações atuais sobre a guerra e a morte. (Zeitgemäßes über Krieg und Tod) (1915). In: FREUD, S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. XIV. Tradução: Themira de Oliveira Brito, Paulo Henriques Britto e Christiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Imago, ano.1920 p. 285

FREUD, S. O estranho. (1919) In: FREUD, S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. XVII. Tradução: Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 247-290.

LACAN, J. O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada. (1945) In: LACAN, J. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 197-213.

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