EDITORIAL

Após um lapso de tempo, a LAPSUS retorna as suas atividades em 2019. Com nova equipe e novo layout, a publicação dos associados do Instituto de Psicanálise da Bahia desperta com a letra dos associados – um esforço de cernir o real em jogo para cada autor, a partir da sua escrita singular. Sonho, desejo e despertar se tornam as três cordas enlaçadas que dão consistência a nossa publicação, permitindo que a LAPSUS se dê a ler.

ENTREVISTA

Por ocasião do Curso Breve do Instituto de Psicanálise da Bahia (IPB), ocorrido nos dias 2 e 3 de agosto de 2019, tendo por tema “Sonho, desejo e despertar”, tivemos em solo baiano Marina Recalde, psicanalista membro da Escuela de la Orientación Lacaniana (EOL) e da Associação Mundial de Psicanálise (AMP), Analista de Escola (AE) de 2013 a 2016 e docente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Instituto de Clínica de Buenos Aires (ICBA). Aproveitando a oportunidade, a Equipe Lapsus convidou a conferencista para uma breve entrevista.

TEXTOS

O sonho do saber médico (ou o saber médico não é um-equívoco)

Marcelo Braz

A medicina é uma prática que se ampara na ciência. Seja a biológica, a química, ou a física, o saber da medicina e seu discurso se sustentam em uma tentativa de leitura do real. Se há um saber no simbólico que pode ser alojado no real pela medicina, este saber não recobre…

Sonho, Real
e política

Glaycianny Pires Alves Lira e Marília Santiago de Arruda

O ano é 2019 e há algum tempo a forte sensação de descrença e instabilidade toma conta da população brasileira e de sua máquina pública. A enxurrada de acontecimentos surreais nos faz questionar o status da nossa realidade. “Será tudo isto um sonho?”

Percursos oníricos:
o Real entre sonho e análise

Glaycianny Pires Alves Lira e Rhuan Pablo Barbosa da Silva

Lacan (1964) questiona, no Seminário 11, “Como o sonho, portador do desejo do sujeito, pode produzir o que faz ressurgir à repetição o trauma?” (p. 55) – quando propõe esse certame, o que Lacan faz é…

Suicídio e kakon
como ódio de si

Thaïs Moraes Correia

Este artigo circunscreve o tema do suicídio, trama delicada e encoberta por véus que se tornou recorrente entre adolescentes na contemporaneidade. Hoje, com a queda do falocentrismo e seu feroz retorno totalitário presente nas mídias eletrônicas…

INTERCÂMBIO

Os limites da interpretação e o instante de despertar

Nayahra Reis

Em 1900, Freud (2013) inaugura a psicanálise com seu livro célebre, “A interpretação dos sonhos [Die Traumdeutung], onde ele articula a teoria do inconsciente e aquela da neurose a partir do sonho – considerado como a « via régia do inconsciente ». Neste texto, a questão da interpretação também ocupa um lugar privilegiado. No entanto, se Freud, ao longo da suas elaborações sobre as funções da atividade onírica, mantém sua posição no que concerne os sonhos como uma realização do desejo, como uma formação do inconsciente, o qual assim como os lapsos, atos falhos e os sintomas, esconde um sentido a ser desvelado, a ser lido como os hieróglifos e, por consequência, submetido à interpretação, esta última, por sua vez, terá sua noção questionada.

DISCIPLINA DO COMENTÁRIO

Um sonho prolongado, realização do despertar

Rogério Barros

No capítulo VII de A interpretação dos sonhos, intitulado Psicologia dos processos oníricos, Freud (1900-1901/1996a) traz um importante sonho. Nele, um pai desperta da sua produção onírica ao ouvir o filho, recém falecido…

Sonho, despertar e traumatismo

Wilker França

Lacan retoma o sonho do “Pai, não vês que estou queimando?”, desenvolvido por Freud, para discutir sobre a função secundária dos sonhos de prolongar o sono. De que forma há nesses sonhos de angústia a função de prolongamento do sono?

A fuga do sentido

Julia Solano

No texto em questão, Miller traça a trajetória do conceito de interpretação no ensino de Lacan, circunscrevendo-o em três momentos.
O primeiro momento está relacionado…

RESENHA

Sonhos e despertares

Luiza Sarno

Em um movimento de torções, semelhante a lógica da topologia, Carolina Koretzky (2019) percorre os ensinos de Freud e Lacan visando apreender diversos deslocamentos na concepção dos sonhos e dos despertares. De início, é importante atentar que abordar a questão no plural não é ao acaso.

O sonho, como via regia do inconsciente, pode ser tomado como uma montagem significante que garante o desejo de dormir. Entretanto, paradoxalmente, o real que o sonho aponta pode ser apreendido com o Um que se desperta. O despertar refere ao encontro faltoso entre o significante e o real, lançando o sonho – aqui, tomado como pesadelo – na mesma lógica dos fenômenos do inconsciente que se apresentam a partir da descontinuidade, tais como, o lapso, o ato falho, o sintoma e a passagens ao ato.

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